Manifestei o Homem dos meus Sonhos e Casei com um Milionário

Manifestei o Homem dos meus Sonhos e Casei com um MilionárioPT

Romance
Última actualización: 2026-02-28
Ana Maro  Recién actualizado
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Resumen
Índice

Anabela Queirós é uma artista e professora de artes que tem seu próprio Atelier no Porto (Portugal). Num sábado, ela sai em busca de inspiração entre as Flores de Cerejeira do Douro, mas encontrou mais do que isso. Entre passeios e novas descobertas, despertou de sua própria consciência e manifestou o impossível. Uma história apaixonante com doses de intrigas, mentiras e drama. Será preciso muita coragem, força e um amor real para superar todos os desafios. Anabela não imaginaria que iria encontrar algo tão genuíno e verdadeiro que transformaria a sua trajetória para sempre, provando que o amor e a abundância caminham lado a lado.

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Capítulo 1

Capítulo 1 - Entre Traços e Esperança

"Faz hoje um ano que abri as portas deste ateliê."

Olhei ao redor, absorvendo cada detalhe. Era maravilhoso ver o meu trabalho tomando forma. Neste momento tenho dezasseis alunos encantados pela arte do contacto do grafite com o papel — textura, leveza, camadas de intenção, luz e sombra.

— Ah, não consigo fazer isto! — desabafou Isabel, de 62 anos, muito impaciente. — Anabela, preciso de ajuda!

Aproximei-me com serenidade.

— Calma, Isabel. O que precisa? Mostre-me.

— Estou a tentar fazer um olho igual ao outro, mas não acerto! Nunca fica igual!

As marcas de borracha denunciavam as tentativas frustradas.

— Vamos olhar primeiro para a imagem de referência — apontei para a fotografia em escala de cinzas. — Este olho está perfeito. O outro está mais escondido. Por isso, serão diferentes: é a perspectiva.

Ela inclinou a cabeça.

— Ahh… tem razão. Mas não sei como fazer.

— Eu mostro.

Tracei linhas leves numa outra folha e guiei a sua mão. Minutos depois, o pássaro ganhava forma. Isabel sorriu, orgulhosa do primeiro desenho em grafite.

Desde que apresentei o projeto à assistente social Carla, as inscrições não pararam. Consegui parceria para pintura em acrílico às quintas e aos sábados, mas ainda preciso de mais cavaletes. Os de boa qualidade são caros e cada investimento pesa quando se vive do próprio sonho no primeiro ano.

Brevemente, quero reabrir a turma de aquarela, mas preciso de uma temática interessante.

A Primavera aproxima-se. Ouvi dizer que as cerejeiras no Douro vão desabrochar em breve. Sinto que preciso ir lá conhecer. Poderá servir-me de inspiração.

— Anabela, venha ver o cavalo que desenhei — chamou Rui, com um sorriso traquina que desmentia os seus 68 anos.

O cavalo cinza-escuro parecia respirar no papel.

— Rui, evoluiu muito. Lembra-se do alce da semana passada? Vamos comparar?

Rui colocou os dois desenhos lado a lado. A diferença era evidente.

— Consegue perceber a evolução da sua técnica de pelugem? — sorri.

Ele piscou-me o olho.

— Sim. Gosto de guardar as provas do meu avanço.

— E faz muito bem.

Senti um calor no peito. Além do orgulho, era a confirmação de que superei as dúvidas, as contas apertadas e o medo de falhar. Cada progresso dos meus alunos era também meu.

O meu projeto estava a funcionar.

— Muito bem, turma, vamos organizar tudo. Na quarta-feira continuamos — anunciei.

Saíram devagar, entre despedidas e risos suaves.

Apenas Rosa permaneceu. Aos 80 anos, organizava as folhas na sua pasta de couro com a mesma delicadeza com que segurava o lápis. Usava um conjunto azul‑pastel, com sobretudo e boina à francesa a combinar. Um alfinete prateado, em forma de rosa, brilhava discretamente no peito.

— Anabela, querida… posso fazer-lhe uma pergunta pessoal?

Consenti com um leve aceno.

— É uma mulher inspiradora, sabe? Pergunto-me… tem um namorado?

Sorri por instinto, mas senti os ombros enrijecerem.

— Rosa… é uma pergunta bem pessoal — ri baixinho. — Não, não tenho. Por que a curiosidade?

Ela corou ligeiramente, abrindo um sorriso acolhedor.

— Porque é uma jovem, apaixonada pelo que faz, tem os olhos a brilhar quando fala de arte… e é linda. Como não tem namorado?

Corei também.

— Esteve a observar-me bem, pelo que percebo.

Cruzei os braços de forma divertida, sentindo os lápis guardados no bolso da camisa pressionarem o peito.

— A Anabela tem um dom — continuou ela. — Já fiz outros cursos, nos quais todos os alunos aprendiam a desenhar de forma semelhante. Aqui, somos livres. Sinto-me vista.

As palavras tocaram-me fundo.

— Fico muito feliz que sinta isso, Rosa.

Ela levantou-se, segurando a pasta de couro que reparei que combinava com as suas botas. Eu tinha uma admiração pela Rosa, era um exemplo para mim.

— Agora veja se começa a namorar, menina Anabela.

Caminhei ao lado dela até à porta.

— Já me iludi algumas vezes… não é fácil encontrar alguém que queira construir algo verdadeiro.

Rosa parou antes de sair e segurou-me a mão. Senti o calor do seu toque reconfortante.

— Não pense assim. No momento certo, algo especial aparece. Digo por experiência própria.

Apontou discretamente para a rua. Um senhor elegante aguardava, sorrindo com paciência.

— Hoje comemoramos sessenta anos de casados.

Observei enquanto ele pegava a pasta da sua mão e oferecia o braço para caminharem juntos. Havia ali cumplicidade, leveza e história. O meu peito apertou, desta vez pela esperança.

Os meus dias pertenciam ao trabalho, às cores, às telas e aos traços inseguros que ganhavam coragem.

As noites… pertenciam à minha solitude. Mas eu estava pronta para manifestar algo diferente.

Talvez a Primavera trouxesse mais do que flores. Talvez trouxesse o amor que eu finalmente estava pronta para viver.

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Capítulo 1 - Entre Traços e Esperança
Capítulo 2 - A Descoberta entre as Cerejeiras
Capítulo 3 - Sob Olhares Diferentes
Capítulo 4 - Entre Raízes e Silêncios
Capítulo 5 - Almoço com um Estranho
Capítulo 6 - A Revelação
Capítulo 7 - É Preciso Viver para Acreditar
Capítulo 8 - Eu Escolho-te
Capítulo 9 - A Luz do Depois
Capítulo 10 - Entre Chá e Confissões
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