– QUANDO ESCOLHER NÃO É FUGIR
ANA
Passei a madrugada acordada.
Não por ansiedade. Mas por lucidez.
Era estranho perceber que, pela primeira vez, eu não estava tentando provar nada para ninguém. Nem para a mídia. Nem para William. Nem para o passado.
Eu só estava escutando a mim mesma.
Amar alguém não é esquecer o que doeu.
É decidir se aquilo ainda tem poder sobre você.
Levantei cedo e fui caminhar pela cidade. O frio do Canadá me acordava os sentidos, enquanto minha mente organizava memórias como quem abre caixas antigas sem medo do que vai encontrar.
William tinha errado.
Muito.
Mas também tinha aprendido.
E eu não era mais a mulher que aceitava migalhas de presença.
Quando voltei para casa, havia um buquê simples na portaria. Nenhuma assinatura extravagante. Apenas um cartão:
“Sem pressa. Sem cobrança. Só verdade.”
Sorri, apesar de mim.
WILLIAM
Assumir publicamente o que eu sentia não tinha sido estratégia.
Tinha sido sobrevivência.
Passei anos acreditando que co