.– A ESCOLHA QUE NÃO SE ESCONDE
WILLIAM
O Canadá sempre foi frio demais para mim.
Não apenas no clima, mas na forma como eu vivi ali por tantos anos. Um frio que se infiltrava nos ossos e se confundia com silêncio, com escolhas adiadas, com sentimentos engolidos.
Mesmo quando era casa.
Mesmo quando era sucesso.
Mesmo quando eu tinha tudo aquilo que o mundo costuma chamar de vitória.
Naquela noite, parado em frente ao prédio iluminado da nova sede da empresa de Ana, senti algo diferente atravessar esse frio antigo. Não era ansiedade. Não era medo. Tampouco arrependimento — esse eu já conhecia bem demais.
Era clareza.
O prédio parecia respirar luz. Vidro, aço, linhas modernas, mas com uma elegância que não gritava — exatamente como ela. Meus olhos subiram devagar pela fachada até encontrarem o nome projetado em letras firmes, impossíveis de ignorar.
Ana Clara — Founder & Creative Director.
Ali, diante daquele nome, entendi algo que talvez sempre soube, mas nunca tive coragem