Há um lugar onde a dor não grita. Ela existe, mas não machuca do mesmo jeito. É difusa, distante, como um eco que não encontra paredes para bater. É ali que eu estou agora, um espaço entre o que fui e o que talvez ainda seja, estou andando ou flutuando, não sei dizer.
O chão não tem forma definida. Às vezes parece areia quente, às vezes madeira antiga, como o assoalho da casa onde aprendi a ficar. O ar tem cheiro de lavanda e café recém-passado, cheiros que não pertencem a um hospital, cheiros