Mundo de ficçãoIniciar sessãoO noivado de Sarah era o sonho de qualquer mulher: estabilidade, carinho e um futuro seguro ao lado de Robert. Mas o destino decidiu colocar um obstáculo de dezoito rodas no meio do seu caminho. Sozinha em uma estrada deserta, cercada por uma gangue de motoqueiros, Sarah viu sua vida em perigo até que um gigante de aço parou no acostamento. Dele, desceu um homem que parecia um anjo vingador: loiro, de olhos verdes cortantes e uma presença que exalava um magnetismo selvagem. Ele a salvou, consertou seu carro e partiu sem pedir nada em troca, deixando Sarah perdida em fantasias com o estranho que mal conhecia. O que ela não imaginava é que o seu salvador tinha nome, sobrenome e um lugar à mesa de jantar da sua nova família. John é o irmão mais velho de seu noivo. Um caminhoneiro nômade que vive pelas leis da estrada, John é o oposto do irmão: ele é o fogo que consome, o perigo que atrai e o pecado que Sarah nunca deveria desejar. Sob o mesmo teto, enquanto os preparativos para o casamento avançam, a tensão entre Sarah e seu cunhado se torna uma carga elétrica impossível de ignorar. Entre a lealdade ao homem que ama e a paixão avassaladora pelo homem que a salvou, Sarah descobrirá que alguns corações não podem ser domados... e que o seu maior erro pode ser o seu desejo mais profundo. Prepare-se para uma viagem sem volta pelas curvas perigosas do desejo proibido.
Ler maisSarah narrando:
Meu nome é Sarah Carter e essa é a minha história. Eu vivia em Fairhaven. Uma cidade que parecia ter parado no tempo, com ruas arborizadas, casas antigas de madeira e uma rua principal pequena, onde todo mundo se conhecia. A cidade ficava logo na saída da rodovia interestadual I-80, no estado do Missouri. Era o tipo de lugar onde todo mundo se conhece… e onde os segredos raramente ficam escondidos por muito tempo. Sou órfã. Fui criada pela minha tia, que também já faleceu. Depois que ela morreu, fiquei sozinha no mundo… até conhecer Robert. Eu trabalhava na loja de conveniência do posto de gasolina da cidade, e foi lá que conheci meu noivo. Robert não é belo, mas tem um coração enorme e uma presença que impõe respeito. Ele é advogado e trabalha na prefeitura, é o braço direito do prefeito. Começamos a namorar e logo ficamos noivos. Fui morar com Robert na fazenda de sua família. Sou muito grata por terem me acolhido. Agora vamos nos casar para formalizar nossa união e dar uma satisfação para a sociedade. Naquele dia o calor parecia maior que o normal. O sol castigava o asfalto e o ar quente tremia sobre a estrada. Eu estava dirigindo de volta para a fazenda quando meu carro decidiu simplesmente parar de funcionar. Suspirei frustrada ao encostar no acostamento. Dentro do carro o calor parecia ainda mais intenso. Resolvi descer. Peguei meu celular que estava descarregado. Minha única chance era alguém passar pela estrada. Faltavam poucas milhas para chegar. Então ouvi o ronco de motores. Não apenas um. Quatro motos. Uma gangue de motoqueiros me cercou. Começaram com comentários, risadas, olhares invasivos. Senti o perigo imediatamente. Eles não estavam ali para me ajudar. Estavam ali para me fazer mal. Meu coração disparou. Foi quando uma carreta surgiu na estrada. Enorme. Imponente. Parou poucos metros atrás. O motorista desceu. Eu só consegui vê-lo da cintura para baixo. O sol batia diretamente nos meus olhos, me cegando. — O que está havendo aqui? — disse ele com uma voz rouca e firme. — Nada que você possa se meter — respondeu um dos rapazes. — Por favor, me ajude! — supliquei. O motorista engatilhou um rifle. — Acho bom vocês saírem daqui. Agora. Os motoqueiros se entreolharam. Subiram nas motos e foram embora. O líder ainda cuspiu no chão antes de acelerar. Minhas pernas cederam. Caí no chão, exausta. Ele se aproximou. — Você está bem? — Sim… você me salvou. Sem pensar, abracei seu pescoço. Ele ficou sem reação por um instante. Senti o cheiro dele. Amadeirado, com fumaça e estrada. — A propósito, meu nome é John. — Eu sou Sarah. — O que houve com seu carro? — Não sei… só parou. — Deixa eu dar uma olhada. John foi até o carro e abriu o capô. Eu o observava. Os cabelos loiros bagunçados pelo vento. As mãos grandes trabalhando no motor. Os olhos verdes intensos. Quando ele tirou a camiseta por causa do calor, vi o peitoral definido e os braços fortes. Meu coração acelerou. John conseguiu fazer o carro funcionar. — Nossa, foi rapidinho — eu disse. Ele riu. — Rapidinho? Ficamos aqui quase duas horas. — Como posso te agradecer? Por um segundo imaginei nós dois nos beijando. — Sarah… Sarah… Eu pisquei, voltando à realidade. — Oi. — Você está bem? Tem certeza que consegue dirigir até a cidade? — Sim, consigo. — Não deixe de levar o carro a uma oficina. — Pode deixar. — Então até algum dia. Se cuide. Ele subiu na carreta. Quando passou por mim, buzinou. Fiquei parada, perplexa. Meu coração ainda acelerado. Minhas mãos tremendo. Não era medo. Era outra coisa. Segui para a cidade. Deixei o carro na oficina e depois passei na loja do posto para conversar com minha amiga Nataly. Contei tudo que me aconteceu para ela. — Uau — ela disse — a chance de você ver esse cara de novo é uma em um milhão. — Eu sei. Então é melhor eu colocar os pés no chão e focar no casamento. Nos despedimos. Depois fui até a prefeitura. Robert me recebeu com carinho, como sempre. — Claro que podemos ir para casa juntos — ele disse — Mamãe ligou. Disse que tem uma surpresa. Sorri, imaginando algo relacionado ao casamento. Entramos no carro. Mas por mais que eu tentasse, não conseguia parar de pensar no caminhoneiro. Eu olhava as mãos de Robert no volante… e lembrava das mãos de John. Quando avistamos a fazenda, vi uma carreta parada em frente à propriedade. Meu coração disparou. Não podia ser. Robert estacionou e me puxou pela mão. — Venha, tenho que te apresentar a ele. Subimos a varanda. A porta se abriu. Robert abraçou o homem. — Até que enfim você apareceu! — Eu tinha que vir antes que você fizesse besteira e se casasse, maninho. Meu coração parou. Robert me puxou. — John, essa é a Sarah. Minha noiva. O mundo girou. Era ele. O caminhoneiro. O homem que havia me salvado. O homem em cujos braços eu estive horas antes. John me encarava sem sorrir. Apenas me devorava com os olhos, reconhecendo cada detalhe. Ele estendeu a mão. — Sarah… prazer em conhecer a mulher que domou meu irmão. Quando nossos dedos se tocaram, um choque percorreu meu corpo. Ele apertou minha mão um segundo a mais do que deveria. Eu tentei respirar. — Prazer… John. E naquele momento eu tive certeza. Minha vida acabava de se complicar.John narrando: Desci do caminhão primeiro, sentindo o peso da terra da minha família sob as botas. O cheiro de feno, óleo e passado me atingiu de uma vez só. Por um segundo, foi como se nada tivesse mudado. Mas tudo tinha. Abri a porta do passageiro e peguei David no colo. O menino olhava para a imensidão da fazenda com curiosidade, os olhos atentos, absorvendo tudo sem saber que aquela terra também corria no sangue dele. Sarah desceu logo depois. Ela manteve a cabeça erguida, mas eu senti. Conhecia cada detalhe dela. O leve tremor nas mãos, a respiração um pouco mais curta… ela estava pronta para enfrentar qualquer coisa. Inclusive o passado. A porta da casa se abriu. Diana e George apareceram na varanda. Minha mãe levou a mão à boca no mesmo instante, como se o ar tivesse sumido dos pulmões. Meu pai ficou imóvel, os olhos estreitos, tentando entender o que estava diante dele. Eu comecei a caminhar. Cada passo parecia mais pesado que o anterior. O silêncio se
John narrando: Eu dirigia com uma mão no volante e a outra estendida para trás, apenas para tocar de vez em quando na perna de Sarah ou sentir o movimento de David, que estava fascinado com a paisagem que passava pela janela. Fiz a entrega em tempo recorde. Cada minuto que eu passava naquele caminhão era um minuto a menos para descobrir quem era aquele menino que carregava o meu rosto.Assim que descarregamos, não procurei outra carga. Procurei o melhor motel de beira de estrada que o dinheiro podia pagar. Queria paredes de verdade, uma cama larga e silêncio.No quarto, o mundo lá fora deixou de existir. David estava eufórico, pulando no colchão macio. Eu me sentei no chão e o observei. Ele pegou o seu caminhãozinho de plástico e começou a correr pelo quarto.— Ele gosta de velocidade, como você — Sarah comentou, com um sorriso que eu não via há anos.— Ele é perfeito, Sarah. — Aproximei-me dele e, pela primeira vez, David não recuou. Ele me ofereceu o brinquedo. Quando peguei na mão
John narrando: Eu estava paralisado. O nome dela na minha boca parecia algo proibido, um segredo que eu guardei por mil noites e que finalmente ganhava vida. Sarah estava ali, a poucos metros, mas o abismo entre nós ainda parecia infinito. Eu olhava para ela, tentando reconciliar a imagem da noiva de Fairhaven com essa mulher de olhar cansado e mãos calejadas, quando o som da porta da lanchonete batendo me trouxe de volta à realidade. Era ele. O tal Buck. O sujeito entrou rindo, jogando o boné sujo sobre o balcão com a arrogância de quem se sente o rei de um reino de miséria. — Ora, ora! A bonitinha voltou! — Buck exclamou, ignorando a minha presença como se eu fosse parte da mobília. — Como vai o bastardo, Sarah? O moleque sobreviveu à febre ou você já está livre para me dar um pouco de atenção hoje? Sarah recuou um passo, o rosto empalidecendo. Eu senti o sangue subir para a minha cabeça, uma pulsação violenta nas têmporas. Mas o pior veio a seguir. Buck se inclinou so
John narrando: Eu já estava a trinta milhas de distância, acelerando pela rodovia que corta as planícies próximas a Hempstead, quando o rádio PX chiou e o terminal de dados no painel acendeu. Era a central de despacho. — Atenção, unidade 7-Oito-Meia. John, você ainda está na região de Waller? Temos uma carga prioritária de maquinário agrícola que precisa sair amanhã na primeira hora para o norte. Você é o motorista mais próximo. Eu soltei um palavrão entre dentes, apertando o volante. O plano era colocar o máximo de asfalto entre mim e aquela lanchonete onde o nome "Sarah" tinha me dado um soco no estômago. Eu queria distância daquela sensação de fracasso. Mas o frete era alto e, no mundo dos caminhoneiros, você não recusa uma carga dessas quando está com o tanque cheio e o cronômetro a favor. — Positivo, central. Estou voltando. Vou pernoitar na parada mais próxima para carregar ao amanhecer — respondi, sentindo um gosto amargo na boca. O destino tem um senso de humor





Último capítulo