Arthur sempre acreditara que o orgulho era uma forma de proteção. Não aquele orgulho barulhento, arrogante, mas o silencioso — o que se disfarça de autocontrole, de racionalidade, de “eu dou conta sozinho”. Durante anos, ele o carregara como um escudo, convencido de que manter as rédeas firmes impediria novas perdas.
Naquela manhã, porém, o escudo pesava. O desenho de Sofia permanecia visível na estante do escritório, impossível de ignorar. Arthur o observou por alguns segundos antes de sair de casa, como quem se despede de uma promessa. Não era cobrança. Era lembrança.
No caminho para o trabalho, desligou o rádio. Precisava do silêncio para ouvir algo que evitara por tempo demais. A si mesmo. O primeiro passo foi o mais difícil, ele parou o carro em frente ao prédio onde Helena trabalhava agora. Ficou ali alguns minutos, as mãos apoiadas no volante, o peito apertado por uma sensação que ele raramente permitia: vulnerabilidade.
Ele poderia ir embora, dizer que não era o momento certo,