Arthur percebeu que quebrar o orgulho não era o fim, era o começo de algo ainda mais assustador. Correr riscos significava agir sem garantia, sem saber se o outro estaria disposto a atravessar junto. Para alguém que sempre calculou perdas antes de qualquer movimento, aquilo parecia andar sem chão.
Naquela noite, sentou-se ao lado de Sofia enquanto ela fazia a lição, o desenho emoldurado ainda estava ali, silencioso, observando.
— Papai... — chamou, sem tirar os olhos do caderno — Você vai parar de ter medo?
Arthur sorriu de lado.
— Não. — respondeu,com um sorriso de canto — Mas vou parar de deixar o medo mandar.
Ela pensou por um instante.
— A Helena também tem medo, mas ela fica.
Arthur sentiu o peso daquela constatação simples.
— Eu sei. — respondeu, sincero — E eu estou aprendendo a ficar também.
No dia seguinte, ele tomou decisões que não envolviam planilhas. reorganizou a agenda, delegou o que sempre centralizara, cancelou uma viagem que antes consideraria inadiável. Não para imp