Arthur encontrou o desenho por acaso, estava procurando um contrato antigo na gaveta inferior do escritório quando uma folha colorida escorregou e caiu aos seus pés. Ele se abaixou, pronto para colocá-la de volta sem olhar — mas algo o fez parar. Era um desenho de Sofia.
Casas. Três delas, alinhadas, mas conectadas por um traço contínuo, como se fossem uma só. Na primeira, um homem alto de mãos grandes. Na segunda, uma mulher de vestido azul, cabelos longos, sorriso calmo. Na terceira, uma menina de braços abertos.
Sobre as casas, um céu exageradamente azul. Abaixo, escrito com letras irregulares: “Aqui todo mundo fica.”
Arthur sentiu o ar rarear. Aquela não era uma frase qualquer, era uma afirmação. Uma certeza infantil construída a partir de gestos, presenças e promessas não ditas. Sofia não desenhara um desejo — desenhara uma realidade que acreditava já existir. Ele se sentou lentamente na cadeira do escritório, o desenho apoiado sobre a mesa como se fosse algo frágil demais para s