Sofia não chorou quando apagou a luz, ela esperou. Ficou deitada de lado, abraçando o travesseiro como se fosse algo vivo, contando mentalmente os sons da casa. O relógio da sala, o elevador distante, os passos do pai indo e voltando no corredor. Ela sabia quando Arthur estava inquieto.
— Papai? — chamou, baixo.
Arthur apareceu na porta segundos depois, o rosto cansado demais para fingir.
— O que foi, meu amor? — Sofia deu de ombros.
— Você pode ficar aqui um pouco?
Arthur sentou-se na beira da