Sofia não chorou quando apagou a luz, ela esperou. Ficou deitada de lado, abraçando o travesseiro como se fosse algo vivo, contando mentalmente os sons da casa. O relógio da sala, o elevador distante, os passos do pai indo e voltando no corredor. Ela sabia quando Arthur estava inquieto.
— Papai? — chamou, baixo.
Arthur apareceu na porta segundos depois, o rosto cansado demais para fingir.
— O que foi, meu amor? — Sofia deu de ombros.
— Você pode ficar aqui um pouco?
Arthur sentou-se na beira da cama, como fazia quando ela era menor. Passou a mão pelos cabelos dela, repetindo o gesto que sempre funcionara. Mas não funcionou.
— Você está triste. — disse, olhando o pai.
— Um pouco. — ele respondeu.
— É por causa da Helena?
Arthur não mentiu.
— É.
Sofia virou o rosto para a parede.
— Ela não vem mais?
A pergunta não era acusação. Era medo. Arthur respirou fundo.
— Eu não sei. — respondeu, sincero — Mas ela gosta muito de você.
— Gostar não faz as pessoas ficarem. — Sofia murmurou.
Arthur