Helena não anunciou a decisão, ela simplesmente começou a viver como quem já não espera.
A mudança foi sutil, quase imperceptível para quem não prestasse atenção. O despertador tocava no mesmo horário, o café era preparado do mesmo jeito, os dias seguiam com aparência de normalidade. Mas havia algo diferente no ritmo — um silêncio interno que não pedia resposta. Ela aceitou mais turnos no novo trabalho. Preencheu as noites com compromissos simples: caminhadas longas, aulas que sempre adiara, conversas com pessoas que não perguntavam sobre Arthur, nem sobre a casa que não era mais sua.
Helena longe não era distância física, era ausência emocional. Arthur sentiu antes de entender.
As mensagens passaram a ser educadas demais, sem cobrança, sem entrelinhas. Quando ele perguntava se podia passar para ela ver Sofia, Helena sugeria outro dia. Quando ele tentava puxar lembranças, ela respondia com fatos.
— Ela está diferente. — Sofia comentou certa tarde.
Arthur não fingiu não perceber.
— Com