Eles tentaram. Não como nos filmes, onde uma conversa resolve tudo e o resto se ajeita por consequência. Tentaram do jeito real, tropeçando nas próprias palavras, escolhendo frases erradas e recuando quando o medo de aproximava demais.
Arthur voltou a visitar Helena, não como sempre, não como rotina definida. Às vezes com um café na mão, outras apenas com silêncio nos olhos. Sentavam-se no sofá do pequeno apartamento, falavam sobre Sofia, sobre o trabalho, sobre coisas neutras demais para quem sentia falta do que não era dito. E falhavam.
— Eu posso vir mais vezes. — ele sugeriu numa tarde.
— Isso não resolve o que está pendente. — respondeu, respirando fundo — Só disfarça.
— Eu estou tentando. — disse, frustrado.
— Eu sei. — ela respondeu — Mas tentativa sem estrutura vira desgaste.
Havia dias bons, risos curtos, olhares que se encontravam sem culpa. Um jantar improvisado que quase parecia normal, mas bastava um comentário atravessado, uma menção a Laura, um problema com Sofia, e tud