"Passamos a vida tentando colar os pedaços que a crueldade alheia quebrou, sem perceber que o destino não quer que sejamos consertados pelo passado, mas sim completamente reinventados pelo futuro.”O silêncio na casa dos Bastos não era um sinônimo de paz, era na verdade, o som da ausência. Para Helena Duarte, aquela casa luxuosa, com grandes janelas de vidro e móveis assinados por designers que cobravam caro pelo desconforto, assemelhava-se a uma galeria de arte abandonada. Bonita, polida, mas irremediavelmente morta.Não era assim que ela sonhou, aquilo não parecia um lar para ela.Aos trinta anos, Helena acreditava que o amor exigia sacrifícios. O que ela não sabia era que, em seu casamento com Ricardo Bastos, o sacrifício exigido seria a sua própria identidade.Durante oito anos, ela moldou-se para caber nas expectativas dele. Vinda de uma vida humilde, criada apenas pela avó materna, conheceu Ricardo na universidade, quando ela fazia administração e ele engenharia. E então ela de
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