Ponto de Vista: Rafaella Ferraro
A escuridão tem cheiro.
Cheiro de mofo, sangue seco e terror.
Não sei há quantas horas estou aqui. Talvez dias.
Meus pulsos estão em carne viva, amarrados em cordas ásperas presas a uma cadeira enferrujada. O piso de cimento é frio. Cada parte do meu corpo lateja. Cada respiração dói.
A primeira vez que me bateram, eu não gritei.
Queria mostrar força. Mostrar que não podiam me quebrar.
Na segunda vez, eu chorei.
Agora, só fecho os olhos e espero.
Eles voltam sem