Acordei com o gosto da prata na língua.
Era como lamber gelo e prego ao mesmo tempo.
O primeiro impulso foi cuspir, mas a boca estava seca, a garganta arranhando como se eu tivesse engolido areia.
Abri os olhos devagar e a luz me feriu por dentro, uma claridade azulada que não era de fogo nem de dia, uma luz fria de lâmina lavada.
Eu estava deitada sobre pedra.
A pedra respirava umidade.
Por baixo dela havia algo vivo, um pulsar lento, como se o templo fosse um animal antigo, adormecido, que so