A caverna respirava junto conosco.
O fogo, baixo, lançava línguas de luz que lambiam as paredes de pedra e voltavam, dourando o ar num brilho morno.
A chuva do lado de fora havia dado lugar a um silêncio úmido, e era como se o mundo inteiro tivesse decidido se calar para ouvir apenas o som da nossa pele.
Eu ainda sentia o gosto do medo na boca.
O cheiro de terra, sangue e fumaça grudado no meu corpo.
Mas havia outro cheiro crescendo devagar, redondo, inevitável: o dele.
Quente. Amadeirado.