Samantha
O tempo, quando a gente segura campo, vira tecido elástico, ele estica, encolhe, dobra, sem dizer a você quantos minutos já passaram. Apenas quando o corpo pede registro é que percebemos.
O meu pediu quando o músculo da nuca repuxou. Ajustei o peso nas pernas, soltei o ar mais longo, deixei a maré permanecer sozinha por um instante, o necessário para não me gastar inteira e, então, recoloquei a mão no leme.
A batalha mudou. Não por um golpe decisivo, mas por muitos pequenos recuos. Os caçadores cederam na encosta, reorganizaram-se em grupos menores, recolheram um companheiro ferido.
Os lobos rivais, desconfortáveis na noite que já não os protegia, deram voltas curtas à procura de sombra que não existia. Um deles baixou a cabeça e, por um segundo, eu juro que viu o próprio reflexo no chão claro, e não gostou.
Fiquei. Fui ficando. E vi o que a visão não me contou, a aldeia responde quando a esperança tem onde segurar. Não é magia. É segurança.
As marcas no meu braço e no peit