Ayres
O chão estava encharcado de sangue e lama, e cada passo que eu dava parecia ser mais pesado que o anterior. Não era apenas o peso da batalha, era o peso de algo que eu não queria admitir: meu corpo não respondia como antes.
O ritmo que sempre foi meu aliado agora se tornava meu inimigo. Minhas pernas vacilavam, os reflexos demoravam um segundo a mais. E, em guerra, um segundo é a diferença entre viver e cair.
Rosnei quando um caçador investiu contra mim. Ergui o braço no último instante, bloqueando o golpe. A dor atravessou meu ombro como fogo. Empurrei-o com força, consegui derrubá-lo no chão, mas o esforço foi desproporcional. Um inimigo que, antes, eu teria abatido com facilidade agora parecia uma muralha.
Minha respiração estava curta. O ar não entrava como deveria. O gosto de ferro já se misturava ao da derrota, e não era só meu sangue: era o da minha matilha.
Meus olhos correram pelo campo e encontrei a cena que me cortou mais fundo que qualquer lâmina. Dois jovens guerre