Mundo de ficçãoIniciar sessãoForjada pelo caos de uma tempestade implacável, uma jovem desperta sem passado, sem nome e sem memórias. Enquanto luta para reconstruir os fragmentos de sua própria identidade e descobrir de onde veio, ela percebe que seu esquecimento não foi um acidente. Antigos segredos atraíram os olhos de divindades enfurecidas. Agora, enquanto alguns deuses se move para silenciá-la, ela precisará descobrir quem realmente é antes que a fúria dos deles a apague do mapa para sempre.
Ler maisO sol brilhava tanto no céu limpo que ela precisou cobrir os olhos. A cada rajada de vento, o aroma doce dos lírios a envolvia completamente. Ela caminhava por um campo infinito de lírios asiáticos, sentindo a brisa leve fazer com que as pétalas sedosas roçassem a ponta dos seus dedos enquanto cruzava a grama alta e verde. O chão era macio sob seus pés descalços, e seu corpo parecia tão leve que a sensação era a de flutuar acima da terra fofa. Ao redor, os pássaros cantavam animados, seguindo sua rotina.
De repente, o cenário virou. O céu escureceu e o sol desapareceu atrás de uma nuvem cinza e pesada. O vento ganhou força, trazendo um frio congelante. À sua volta, as pétalas dos lírios começaram a se bater freneticamente, bloqueando sua visão. O solo macio sumiu, dando lugar a pedrinhas afiadas que machucavam seus pés a cada passo. Os pássaros silenciaram de vez, apenas observando dos galhos. Havia algo muito errado ali. O medo bateu forte no instante em que ela sentiu duas mãos em suas costas, empurrando-a com força. Ela começou a cair. No desespero da queda, os braços se debatiam no ar enquanto gotas de chuva grossas e geladas castigavam sua pele, machucando como agulhas afiadas.
Após minutos de puro desespero, o que restou foi o escuro e o silêncio...
...
Alexandra andava furiosa sob o temporal. Ela tinha saído de casa para ir à feira comprar incenso, mas o mau tempo a forçou a dar meia-volta no caminho. A essa altura, já se arrependia amargamente de não ter ido a cavalo. O dia estava tão agradável que ela achou uma boa ideia caminhar, mas agora a chuva caía tão pesada que mal dava para enxergar um palmo diante do nariz.
— Como eu vou chegar ao templo desse jeito? — pensou alto, parada no meio da estrada, com os lábios tremendo de frio.
— Alex! — Uma voz familiar ecoou de longe. — Alex!
Ela forçou a vista, tentando enxergar através da cortina de água, até que avistou um homem alto se aproximando com dois cavalos.
— Quanta coragem a sua vir me procurar nesse temporal — disse ela, aliviada.
— Amigos servem para essas coisas — Nicolas respondeu com um sorriso, parecendo nem ligar para o frio.
— Vamos logo para o templo, estou congelando! — falou ela, já montando em um dos cavalos.
Os dois começaram a galopar rápido. A água batia dolorida contra a pele delicada de Alex, mas ela aguentaria firme; pelo menos agora chegariam mais rápido.
— Ei, o que é aquilo ali? — Nicolas gritou de repente, desviando do caminho principal.
Alex freou logo atrás, segurando as rédeas do cavalo do amigo enquanto ele corria a pé em direção à margem da estrada.
— Nick? — chamou, o coração já apertado de preocupação.
Ele reapareceu trazendo uma garota no colo. Alex saltou do cavalo imediatamente e correu para ajudar.
A jovem desmaiada tinha um ferimento horrível na cabeça: um corte profundo que ia da nuca até a testa e sangrava muito. Para piorar, tinha fraturas expostas no braço e na perna. O estômago de Alex revirou e o peito apertou ao ver aquele estado; as chances de sobrevivência pareciam mínimas. Mesmo assim, ela faria tudo o que estivesse ao seu alcance.
Sem pensar duas vezes, Alex rasgou um pedaço do próprio vestido e enfaixou a cabeça da garota com firmeza, tentando estancar a hemorragia.
— É um milagre ela ainda estar respirando...
— Vá na frente e avise o pessoal no templo — Nicolas pediu, ajeitando a garota nos braços. — Vou precisar cavalgar bem mais devagar com ela.
Alexandra apenas assentiu e obedeceu sem questionar.
Escrever uma história sobre deuses e mortais exige, acima de tudo, compreender a nossa própria humanidade. Olhar para o alto, para o topo do Monte Olimpo, ou sintonizar a mente com as profundezas silenciosas do Submundo é, na verdade, um exercício de introspecção. Significa encarar nossas próprias sombras, nossos desejos mais profundos, nossos medos insolúveis e a nossa eterna busca por redenção e poder.Dar vida a esta jornada e ver a transformação gradual da nossa soberana Perséfone foi um processo intenso, desafiador e incrivelmente recompensador. Cada linha traçada exigiu de mim uma entrega absoluta. Houve dias em que os personagens pareciam sussurrar suas dores diretamente em meus ouvidos, exigindo justiça para suas trajetórias. Este livro jamais teria cruzado a fronteira nebulosa da imaginação para se tornar uma realidade palpável se eu estivesse caminhando na completa solidão. Ele é o resultado do apoio incondicional, do carinho e da paciência de pessoas fundamentais que segura
Três ciclos lunares se passaram no mundo superior desde que as águas de Poseidon retornaram ao seu leito e a paz foi restaurada no Olimpo. Na superfície, a terra aprendeu a aceitar a ausência temporária de sua deusa, colhendo os frutos de uma primavera madura que deixara raízes fortes. Mas, nas profundezas do Submundo, o tempo havia corrido em um ritmo próprio — um período de calmaria, treinos sob o brilho dos cristais e uma paixão que floresceu de forma definitiva entre a primavera e as sombras.Perséfone já não era mais a convidada que buscava respostas. Ela havia encontrado sua identidade nas fendas de obsidiana e no abraço seguro de Hades. O sentimento que nascera no meio do caos havia se consolidado, e a decisão de unir seus destinos não vinha de um acordo político de Zeus, mas de uma escolha puramente deles.O grande salão do palácio de mármore negro estava ornamentado como nunca antes em toda a sua eternidade. Não havia a opulência dourada do Olimpo; em vez disso, o ambiente br
Os Jardins de Obsidiana tornaram-se o refúgio favorito de Perséfone nas semanas que se seguiram. Sob a tutoria paciente de Hades, as explosões descontroladas de poder haviam dado lugar a um domínio gracioso. Ela já não temia a escuridão da terra; aceitava-a como parte de sua própria essência.Após uma longa tarde de treinamento, onde conseguiram fazer um bosque inteiro de salgueiros de ébano brotar das rochas, os dois caminharam até a beira de um lago subterrâneo. A água ali era tão escura e imóvel que parecia um espelho de vidro negro, refletindo perfeitamente as constelações de cristais azuis que brilhavam no teto da imensa caverna.Perséfone sentou-se na margem rochosa, recolhendo as pernas e abraçando os joelhos. Ela olhou para o próprio reflexo na água e sorriu, sentindo uma paz que nunca havia experimentado nos salões dourados e barulhentos do Olimpo.Hades sentou-se ao lado dela, mantendo uma distância respeitável, embora sua atenção estivesse inteiramente voltada para o perfil
O palácio de Hades erguia-se em mármore negro e colunas de obsidiana polida, refletindo o brilho espiritual do Submundo. Para celebrar a chegada de sua ilustre convidada, o grande salão de banquetes foi aberto. A atmosfera misturava a imponência habitual das sombras com o frescor sutil que a presença de Perséfone trazia.A longa mesa de pedra estava decorada com cálices de prata e bandejas de ouro. Sentados ao longo do salão, os conselheiros do reino subterrâneo — juízes das almas, espectros antigos e generais — observavam a jovem deusa com um silêncio reverente e curioso. Ela estava vestindo apenas suas roupas da superfície, mas a forma como se portava já atraía a atenção de todos.Conforme Perséfone conversava de forma descontraída com os conselheiros, tentando entender o funcionamento daquele lugar novo, pequenas vinhas com flores de pétalas escuras e brilhantes brotavam timidamente perto de seus pés, espalhando-se sutilmente pelo chão de pedra. A energia dela estava respondendo e
Último capítulo