CAPITULO 7

A atmosfera no jardim mudou no instante em que Nicolas abriu a boca para responder. Um som sutil de passos na pedra fez com que os dois se afastassem rapidamente. Da sombra dos pilares do Partenon, Dimitra surgiu.

A alta sacerdotisa mantinha a postura impecável de sempre, mas seus olhos, geralmente serenos e imponentes, carregavam uma sombra de exaustão e profunda preocupação. Ela olhou de Anastácia para Nicolas, avaliando a proximidade dos dois com um único olhar severo.

Nicolas, o dever o chama na entrada do templo. Os peregrinos estão chegando — ordenou Dimitra, com uma voz firme que não admitia réplicas.

O rapaz assentiu em silêncio, lançou um último olhar tenso para Anastácia e retirou-se, deixando as duas mulheres a sós. Dimitra aproximou-se devagar, seus trajes sacerdotais roçando suavemente no chão. Ela encarou o rosto empalidecido de Anastácia.

Você está se lembrando de algo, não está? — perguntou a sacerdotisa, sem rodeios. Antes que a jovem pudesse inventar uma desculpa, Dimitra fez um gesto com a mão. — Venha comigo. Há algo que você precisa ver.

Ela guiou Anastácia por um corredor subterrâneo e trancado do templo, um lugar onde apenas as sacerdotisas de alto escalão tinham acesso. No centro de uma pequena sala iluminada por tochas, sobre uma mesa de pedra, repousavam os pertences com os quais Anastácia havia sido resgatada da floresta.

À luz do fogo, o tecido que Nicolas mencionara parecia ainda mais extraordinário. Não era apenas uma roupa comum de linho ou lã.

Passe os dedos aqui — instruiu Dimitra, a voz quase num sussurro.

Anastácia aproximou-se e tocou o tecido. Era incrivelmente macio, mas ao mesmo tempo quente. Conforme ela movia a mão, os fios pareciam mudar sutilmente de cor, oscilando entre o branco e um tom de dourado. Não havia costuras visíveis; a peça parecia ter sido moldada por pura magia.

Eu passei as últimas noites examinando cada centímetro dessas roupas — revelou Dimitra, cruzando os braços. — O padrão geométrico bordado nas bordas não pertence a nenhuma pólis grega. Mas o que realmente me assustou foi isto.

Dimitra pegou uma pequena adaga de bronze que estava ao lado do tecido. A lâmina estava completamente retorcida e cega, como se tivesse colidido contra uma rocha com força brutal.

Essa adaga estava perto de você. Quando tentei limpar o sangue seco da lâmina para examinar o metal, notei que o sangue não era seu, Anastácia. E quando a aproximei da água benta do altar de Atena... a água ferveu instantaneamente.

Anastácia deu um passo para trás, sentindo o mesmo cheiro de ozônio que sentira no jardim.

O que isso significa? — perguntou a jovem, com o coração martelando no peito.

Significa que você esteve no meio de um confronto de proporções divinas — Dimitra cravou os olhos nela, o medo finalmente transparecendo em sua expressão. — O metal dessa adaga foi forjado no próprio Monte Olimpo, mas o poder que destruiu a lâmina e que impregnou esse tecido vem de algo muito mais antigo e violento. A própria terra e as raízes a protegeram na queda porque você carrega uma herança ou uma maldição que a natureza da montanha reconhece. Eu exigi o seu isolamento das outras sacerdotisas não por capricho, Anastácia. Mas porque sei que, se os deuses descobrirem que o que restou daquela batalha está escondido sob o meu teto, eles destruirão este templo para chegar até você.

O terror nas palavras de Dimitra ainda ecoava na mente de Anastácia quando a escuridão daquela sala subterrânea pareceu se estender, cruzando as fronteiras do mundo mortal até alcançar as alturas imponentes do Monte Olimpo. Lá em cima, a atmosfera não era de mistério velado, mas de uma tensão sufocante e elétrica.

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