Mundo de ficçãoIniciar sessãoA jovem ferida observou a discípula sair apressada. Ela parecia ser uma boa pessoa, mas será que todo mundo ali era confiável? Dava para abaixar a guarda? Sua família estaria procurando por ela? Será que ela sequer tinha uma família?
Tentou se sentar na cama, mas o quarto girou. Uma tontura forte fez sua cabeça latejar, forçando-a a deitar de novo. Ficar apagada por dois dias a tinha deixado fraca demais, e cada músculo do seu corpo doía. Ela passou a mão pela cabeça enfaixada e encarou os hematomas roxos em seus braços.
— Pelos deuses, o que aconteceu comigo? — sussurrou, com as lágrimas voltando a embaçar sua visão.
O som da porta se abrindo a tirou daquele transe. Uma senhora entrou logo atrás de Alexandra, acompanhada por um homem grisalho que vestia uma armadura dourada imponente.
— Olá, querida. Meu nome é Dimitra, sou a sacerdotisa deste templo — disse a mulher, com uma voz acolhedora. — E este é o Ajax. Ele vai nos ajudar a encontrar a sua família.
Alexandra entregou ao homem um papiro e um pedaço de chumbo. Ele explicou que anotaria as características físicas da garota e, junto com outros cavaleiros, faria uma busca por jovens desaparecidas na região que batessem com a descrição.
— Bem, enquanto você estiver morando aqui com a gente, precisamos pensar em um nome para você, o que acha? — Dimitra sugeriu, sorridente. — Eu pensei em Anastácia. Significa "aquela que renasceu", o que combina muito com a sua história, não é?
A garota sorriu pensativa e apenas assentiu, gostando da ideia.
— Sabemos que é um nome temporário. Logo, logo você vai se lembrar de tudo e voltar para casa — comentou Alexandra, tentando animá-la.
Anastácia limpou as lágrimas e sorriu de verdade. Mesmo sabendo que era um nome provisório, o acolhimento daquelas mulheres deixava tudo um pouco menos assustador.
Logo em seguida, outras discípulas entraram trazendo uma bandeja com pão, queijo de cabra e figos fresquinhos. Depois de comer, elas a ajudaram a tomar um banho e a se trocar. Vestiram Anastácia com uma túnica branca de alças largas e decote em V, ajustada por um cinto dourado na cintura, e fizeram uma trança em seus cabelos. Ela reparou que todas ali se vestiam de um jeito bem parecido; devia ser o uniforme padrão do templo.
Todas eram muito carinhosas e alto-astral, o que ajudou Anastácia a desanuviar e esquecer o medo por um instante. Afinal, ela estava cercada de mulheres dispostas a cuidar dela até que melhorasse, e havia soldados focados em achar sua família. O pior já tinha passado. Desesperar-se não mudaria nada; o jeito era seguir em frente.
— Prontinho, você está linda! — Thalia elogiou, terminando de trançar os cabelos dela.
Como o corte na cabeça já estava praticamente cicatrizado — o que ainda era um mistério —, elas decidiram tirar os curativos de vez.
— Obrigada — Anastácia respondeu, meio tímida.
— Está se sentindo bem para andar? A gente podia dar uma volta pelo templo, o que acha?
— Pode ser, acho uma boa.
— Vou te levar para conhecer o Nicolas. Ele é aprendiz de cavaleiro e protege a gente. Foi ele quem te encontrou e te carregou até aqui.
Tanta coisa tinha passado pela cabeça de Anastácia desde que abrira os olhos que ela tinha até esquecido desse "detalhe".
— Nossa, então eu devo a minha vida a ele. Tenho muito o que agradecer — disse Anastácia, abrindo um sorriso sincero.
As duas saíram dos aposentos e começaram a caminhar pelo longo corredor que dava para a entrada principal.
— Fico muito feliz que você esteja se recuperando num piscar de olhos — comentou Thalia. — A Dimitra não parava de rezar por você, principalmente para Atena. Ela tem certeza de que não foi por acaso que um discípulo da deusa te encontrou naquela tempestade.







