CAPITULO 4

A jovem ferida observou a discípula sair apressada. Ela parecia ser uma boa pessoa, mas será que todo mundo ali era confiável? Dava para abaixar a guarda? Sua família estaria procurando por ela? Será que ela sequer tinha uma família?

Tentou se sentar na cama, mas o quarto girou. Uma tontura forte fez sua cabeça latejar, forçando-a a deitar de novo. Ficar apagada por dois dias a tinha deixado fraca demais, e cada músculo do seu corpo doía. Ela passou a mão pela cabeça enfaixada e encarou os hematomas roxos em seus braços.

— Pelos deuses, o que aconteceu comigo? — sussurrou, com as lágrimas voltando a embaçar sua visão.

O som da porta se abrindo a tirou daquele transe. Uma senhora entrou logo atrás de Alexandra, acompanhada por um homem grisalho que vestia uma armadura dourada imponente.

— Olá, querida. Meu nome é Dimitra, sou a sacerdotisa deste templo — disse a mulher, com uma voz acolhedora. — E este é o Ajax. Ele vai nos ajudar a encontrar a sua família.

Alexandra entregou ao homem um papiro e um pedaço de chumbo. Ele explicou que anotaria as características físicas da garota e, junto com outros cavaleiros, faria uma busca por jovens desaparecidas na região que batessem com a descrição.

— Bem, enquanto você estiver morando aqui com a gente, precisamos pensar em um nome para você, o que acha? — Dimitra sugeriu, sorridente. — Eu pensei em Anastácia. Significa "aquela que renasceu", o que combina muito com a sua história, não é?

A garota sorriu pensativa e apenas assentiu, gostando da ideia.

— Sabemos que é um nome temporário. Logo, logo você vai se lembrar de tudo e voltar para casa — comentou Alexandra, tentando animá-la.

Anastácia limpou as lágrimas e sorriu de verdade. Mesmo sabendo que era um nome provisório, o acolhimento daquelas mulheres deixava tudo um pouco menos assustador.

Logo em seguida, outras discípulas entraram trazendo uma bandeja com pão, queijo de cabra e figos fresquinhos. Depois de comer, elas a ajudaram a tomar um banho e a se trocar. Vestiram Anastácia com uma túnica branca de alças largas e decote em V, ajustada por um cinto dourado na cintura, e fizeram uma trança em seus cabelos. Ela reparou que todas ali se vestiam de um jeito bem parecido; devia ser o uniforme padrão do templo.

Todas eram muito carinhosas e alto-astral, o que ajudou Anastácia a desanuviar e esquecer o medo por um instante. Afinal, ela estava cercada de mulheres dispostas a cuidar dela até que melhorasse, e havia soldados focados em achar sua família. O pior já tinha passado. Desesperar-se não mudaria nada; o jeito era seguir em frente.

— Prontinho, você está linda! — Thalia elogiou, terminando de trançar os cabelos dela.

Como o corte na cabeça já estava praticamente cicatrizado — o que ainda era um mistério —, elas decidiram tirar os curativos de vez.

— Obrigada — Anastácia respondeu, meio tímida.

— Está se sentindo bem para andar? A gente podia dar uma volta pelo templo, o que acha?

— Pode ser, acho uma boa.

— Vou te levar para conhecer o Nicolas. Ele é aprendiz de cavaleiro e protege a gente. Foi ele quem te encontrou e te carregou até aqui.

Tanta coisa tinha passado pela cabeça de Anastácia desde que abrira os olhos que ela tinha até esquecido desse "detalhe".

— Nossa, então eu devo a minha vida a ele. Tenho muito o que agradecer — disse Anastácia, abrindo um sorriso sincero.

As duas saíram dos aposentos e começaram a caminhar pelo longo corredor que dava para a entrada principal.

— Fico muito feliz que você esteja se recuperando num piscar de olhos — comentou Thalia. — A Dimitra não parava de rezar por você, principalmente para Atena. Ela tem certeza de que não foi por acaso que um discípulo da deusa te encontrou naquela tempestade.

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