Mundo de ficçãoIniciar sessão— Se ela passar mais um dia sem comer, vai acabar morrendo.
Alexandra estava ao lado de Dimitra, em silêncio. Ela apenas segurava uma bacia com água para que a sacerdotisa molhasse as compressas que colocava na testa da garota, que continuava desacordada. Alex não parava de pensar em como ela ainda estava viva; embora os ferimentos estivessem visivelmente melhores a cada dia, a febre alta não dava trégua. Já tinham se passado dois dias e nada de ela acordar. Se sobrevivesse a tudo aquilo, com certeza era muito abençoada pelos deuses.
— Bom, vamos fazer um revezamento para cuidar dela. Você fica aqui enquanto eu vou preparar as oferendas para a deusa Atena com as meninas. Vamos pedir para que ela tenha piedade dessa jovem.
— Tudo bem — limitou-se a dizer Alex.
Dimitra era a mais velha entre todas as mulheres do Partenon, o templo de Atena. Ela dedicava a vida a servir à divindade e a ensinar as outras garotas a seguirem sua devoção como discípulas. Sua jornada tinha começado bem cedo, já que desde nova tinha visões com a deusa. Com o tempo, seu dom cresceu, e agora ela era a responsável por escolher quem entraria para o templo.
A sacerdotisa tinha o olho clínico para enxergar quem realmente tinha nascido para servir Atena e, ao contrário das antigas líderes, ela nunca tinha errado em uma escolha; todas as suas discípulas eram superdedicadas.
Quer dizer, na verdade tinha rolado um único erro há muito tempo, mas ninguém tocava no assunto. Ninguém nem ousava contestar o castigo que a garota recebeu na época, já que a punição foi aplicada pela própria Atena. De qualquer forma, o que quer que tenha acontecido nunca mais se repetiu.
O tempo passava devagar e Alex já estava entediada. As outras meninas estavam superocupadas e o Nicolas tinha saído para patrulhar. Sem nada para fazer para distrair a mente — e com seus livros esquecidos no outro quarto —, ela estava quase cochilando no parapeito da janela. Foi aí que ouviu um suspiro forte.
Alex olhou assustada para a cama, levantou-se num pulo e se aproximou.
— Ai... — a garota reclamou, levando a mão à cabeça enfaixada. Ela abriu os olhos devagar, piscando contra a luz e olhando em volta. — O que aconteceu? Onde eu tô?
Alexandra quase pulou de alegria ao vê-la desperta, mas tentou manter a calma para não assustá-la:
— Oi! Eu sou a Alexandra. Você está no templo de Atena. Que alívio que você finalmente acordou!
A garota continuou olhando ao redor, franzindo a testa, confusa.
— Como assim "finalmente"? Eu dormi por quanto tempo? — perguntou, tentando se situar. — E como eu vim parar aqui?
— Meu amigo e eu te encontramos desmaiada e superferida no meio de uma tempestade. Você está dormindo há dois dias, mas não se preocupa, você está segura aqui — confortou Alex, tentando passar tranquilidade. — Qual é o seu nome?
A garota tentou puxar pela memória, mas o esforço foi em vão. O pânico começou a surgir em seu rosto.
— Eu não sei... Eu não lembro.
Pronto, agora elas tinham um problemão. A jovem simplesmente não lembrava do próprio nome. O que quer que tivesse acontecido na tempestade, tinha apagado a mente dela.
— Mas você não lembra da sua família? Nem de qual cidade você é? — Alex insistiu, preocupada.
— Não... — A garota olhou para ela, completamente desolada, com os olhos já cheios de lágrimas.
O coração da discípula apertou. Além de acordar cercada por estranhos, a garota não fazia a menor ideia de quem era; aquilo devia ser uma tortura psicológica horrível.
— Ei, a gente vai te ajudar, não fica assim — disse Alex, tentando acalmá-la. — Fica aqui quietinha que eu vou chamar a sacerdotisa, tá?







