Mundo de ficçãoIniciar sessão— Dimitra! — Alexandra já chegou berrando ao entrar no templo.
— Shhhh! — a sacerdotisa ralhou. — Onde você estava? Está congelando! E cadê o Nicolas? Ele foi te buscar!
— O Nick está vindo logo atrás com uma garota muito ferida. Ele pediu para eu correr e avisar, assim a gente já prepara as coisas para quando ela chegar.
— Então andem logo, me ajudem! — A sacerdotisa começou a distribuir ordens para as discípulas, que saíram correndo para esquentar água, preparar um banho quente, bálsamos e faixas para os machucados. — Enquanto cuidamos disso, você precisa tomar um banho. A Thalia já esquentou a água para você.
— Não, Dimitra! — Alex protestou, apressada. — Eu quero ajudar!
— Como vai ajudar se ficar doente, hein? Anda logo, isso é uma ordem.
Alexandra revirou os olhos e foi atrás de Thalia. Estava tão agoniada com a cena da estrada que tinha até esquecido o quanto estava encharcada e tremendo de frio.
— Você demorou, a água já estava quase esfriando — Thalia reclamou assim que a viu entrar no quarto. — Ia dar o maior trabalho esquentar tudo de novo.
— Desculpa, é que eu fiquei meio em choque com o que vi — explicou, tirando a roupa e entrando na banheira. Assim que a água quente tocou sua pele gelada, um calafrio percorreu seu corpo.
— E o que você viu?
Alexandra percebeu que Thalia não estava no aposento principal quando ela deu o aviso, então aproveitou o banho para contar tudo o que tinha acontecido.
— Você acha que ela sobrevive? — Thalia perguntou. Ela tinha perdido os pais muito cedo, e qualquer assunto ligado à morte a abalava profundamente, mesmo que fosse sobre uma total desconhecida.
— Sinceramente, não sei. Ela está muito machucada, é um milagre ainda estar respirando.
Thalia ficou pensativa e com o rosto tristonho enquanto separava roupas limpas para Alex.
— Thalia, não fica assim. Se houver 1% de chance de salvá-la, nós vamos fazer de tudo — confortou Alexandra. — Só não podemos criar falsas esperanças, sabe?
— Tudo bem — a amiga assentiu, tentando se conformar.
Quando Alexandra entrou no quarto onde a jovem resgatada estava, levou um susto. O corte na cabeça não parecia nem de longe tão profundo quanto horas atrás, e os machucados pelo corpo estavam bem menos aparentes. O braço e a perna quebrados já estavam imobilizados com talas e faixas.
— Isso é impossível... — sussurrou para si mesma, avaliando o ferimento.
— Parece que ela vai se recuperar... graças aos deuses! — comemorou Dimitra.
Alex forçou um sorriso. Não conseguia esconder o choque com aquela melhora bizarramente rápida. Por outro lado, pensou que talvez a garota não estivesse tão mal assim, e o monte de sangue na hora da chuva só tivesse dado uma impressão pior.
Ela deixou a sacerdotisa cuidando da garota e foi procurar Nicolas, encontrando-o de guarda na porta do templo.
Nicolas era um aprendiz de cavaleiro. Ele era treinado diretamente pela elite do Rei, junto com outros rapazes, para proteger as jovens discípulas da deusa virgem, Atena. O garoto levava a função muito a sério e era tão dedicado que faltava bem pouco para ganhar sua armadura de bronze e se tornar um cavaleiro de verdade.
Alexandra, por sua vez, sempre foi fascinada pela mitologia. Principalmente por Atena. Quando cresceu, decidiu abrir mão de tudo para dedicar sua vida a servir à deusa. Todas as discípulas e a sacerdotisa precisavam ser virgens, seguindo o exemplo da própria divindade, que nunca se casou ou teve filhos porque amava a guerra e não pretendia abrir mão de sua liberdade por tarefas domésticas.
Ultimamente, a rotina no templo andava uma loucura. Havia sacrifícios diários para a deusa da guerra, uma tentativa de fazer os gregos recuperarem a vantagem na Guerra de Troia, já que a maré de sorte deles tinha acabado e cada vez mais soldados morriam nas mãos dos troianos.
— Ela parece bem menos ferida agora — comentou Alex, aproximando-se de Nicolas.
— Sério? Isso não é demais? — Nick sorriu. — Os deuses foram misericordiosos com ela.
Alex se sentou nos degraus da entrada. A tempestade finalmente tinha dado uma trégua, e as discípulas corriam com os últimos preparativos para o sacrifício de um touro inteiro — uma oferenda pesada como prece para Atena.







