Kalil nunca considerara o acaso como algo real — para ele, tudo era estratégia, cálculo, consequência. Mas naquela noite, sentado em um restaurante elegante em Marrakesh, o destino decidiu brincar com suas certezas.
Entre taças de cristal e o aroma de especiarias misturando-se ao vinho, ele a viu.
**Zarah.**
Não como da última vez, não como a mulher escondida sob véus negros. Agora, parte de seu rosto estava revelada: os olhos, mais estreitos, levemente amendoados, resultado de um procedimento que os tornara quase asiáticos; o nariz delicado, os lábios redesenhados, formando uma harmonia que sugeria uma descendência mista, impossível de ser rastreada até uma única raiz.
Ela cruzou o salão com passos rápidos, porém elegantes, o véu cobrindo todos os cabelos e parte das feições. O suficiente apenas para preservar o mistério.
Seus olhares se encontraram por um instante. Rápido, breve, mas suficiente para incendiar o ar.
— **Kalil** — ela cumprimentou, a voz baixa, sem parar.
Antes que el