O corredor de mármore branco conduzia ao hall dos banheiros, onde a luz dourada das lâmpadas se refletia em superfícies reluzentes. O silêncio era quase absoluto, interrompido apenas pelo som de passos contidos.
Foi ali que o inevitável aconteceu.
Kael vinha distraído, ajeitando a manga da camisa sobre o braço ainda marcado por curativos, quando uma figura encoberta pela burca surgiu na direção oposta. O choque foi inevitável: corpo contra corpo, um tropeço breve, um véu deslizando das mãos dela.
Instintivamente, ele ergueu a mão para segurar o tecido antes que caísse no chão e, em um reflexo automático, murmurou:
“Asif, ukhti.”
O árabe saiu perfeito, suave, sem nenhum traço de estrangeirismo.
Zarah congelou.
O som daquela voz tão controlada, tão limpa, rasgou qualquer dúvida. Jamais poderia ser Kael. Ela o conhecera íntima e intensamente, sabia o quanto os sotaques o traíam mesmo quando tentava imitá-los. Mas ali, diante dela, não havia falha, não havia ruído. Apenas perfeição.
Seu c