A clínica em Marrakesh parecia um templo moderno erguido no deserto. Paredes de mármore branco, corredores perfumados por incenso de jasmim, e médicos circulando com passos discretos, como se carregassem segredos maiores que a própria vida.
Zarah caminhava ao lado de uma enfermeira, os olhos ocultos sob o véu negro da burca. Seu coração batia rápido, mas não de medo — e sim de expectativa. Cada passo era um afastamento de Callista, cada porta que se fechava atrás dela era um tijolo na construção de uma nova identidade.
O consultório do cirurgião principal tinha janelas amplas que deixavam entrar a luz do sol do deserto. Ali, o homem a recebeu com um sorriso polido.
“Bem-vinda, senhora Zarah. Aqui, não devolvemos rostos. Criamos destinos novos.”
Ela apenas assentiu. Suas mãos trêmulas repousaram sobre a mesa de vidro. O médico abriu um dossiê detalhado: desenhos, possíveis reconstruções, fotografias manipuladas digitalmente mostrando como poderia ficar. Rostos que não eram seus, mas qu