O 18º andar sempre fora o mais silencioso da empresa.
Ali ficavam as salas de reuniões especiais, usadas apenas para decisões de conselho, reuniões estratégicas, e encontros cujo conteúdo jamais deveria vazar.
Era o andar onde verdades não ditas costumavam nascer — e onde mentiras sofisticadas aprendiam a respirar.
Henrique e Clara saíram do elevador juntos.
Ele caminhava com passos longos, tensos.
Clara o acompanhava, sentindo o ar vibrar com a tensão que emanava dele.
Tudo ali parecia mais frio naquela noite.
Mais ecoante.
Mais perigoso.
A porta de vidro fosco da sala de reuniões estava entreaberta.
Lá dentro, Rafaela estava sozinha, inclinada sobre o computador.
Ela não esperava ninguém.
E, principalmente, não esperava Henrique.
Quando ele entrou, a porta bateu com força.
Rafaela sobressaltou, endireitando-se na cadeira na mesma hora. A máscara profissional escorregou alguns milímetros antes que ela conseguisse recolocá-la.
— Henrique — ela disse, forçando um sorriso. — Já soube qu