O telefone tocou às sete da manhã.
Um toque seco, burocrático, que não trazia boas notícias — Clara sentiu isso antes mesmo de atender.
Henrique já estava de pé, preparando café, quando ouviu a voz dela mudar ao telefone.
Ele se virou lentamente, como se o corpo soubesse que algo estava prestes a quebrar.
Quando ela desligou, estava pálida.
— Clara? — ele perguntou, aproximando-se.
Ela respirou fundo, tentando encontrar uma firmeza que não achava totalmente.
— Era da delegacia — disse, com a voz baixa. — Eles querem que eu vá depor. Hoje.
Henrique não respondeu de imediato.
O maxilar dele travou.
Os olhos escureceram.
— Eu vou com você — ele disse, sem hesitar.
— É melhor eu ir sozinha — ela tentou argumentar, embora nem ela acreditasse na própria frase.
— Clara. — ele segurou o rosto dela entre as mãos. — Eu disse que não ia te deixar enfrentar nada sozinha. E não vou.
Ela fechou os olhos por um instante, deixando o toque dele aliviar parte do peso que carregava.
— Eu só… não quero q