O silêncio no carro de Henrique enquanto dirigiam até a casa dos pais dele era diferente dessa vez.
Não era silêncio tenso.
Nem silencioso demais.
Era um silêncio de alguém que carrega um peso enorme nas costas — mas que decidiu que não vai deixá-lo cair sobre a mulher ao seu lado.
Clara observava o perfil de Henrique enquanto as luzes da cidade passavam pela janela.
A mandíbula rígida.
As sobrancelhas contraídas.
As mãos firmes no volante.
Ele estava preparado para uma guerra.
E ela…
Ela estava pronta para ficar ao lado dele.
Quando chegaram, quem abriu a porta não foi a governanta, nem o pai, nem a irmã.
Foi Sônia, a mãe de Henrique.
Ela parecia diferente.
Menos altiva.
Menos impecável.
A maquiagem perfeita estava ali, mas os olhos…
Os olhos denunciavam que ela tinha chorado.
— Entrem — disse ela, sem rodeios.
Henrique colocou a mão nas costas de Clara, guiando-a pela sala enorme, sempre tão fria. Mas naquele momento, havia algo novo no ar:
Medo.
O pai de Henrique estava sentado na