A coletiva de Henrique ainda repercutia em todos os jornais, portais e redes sociais quando o telefone dele tocou, no final da tarde.
Clara estava na cozinha preparando chá, tentando controlar a tensão que insistia em ficar presa entre as costelas.
Ela observou Henrique atender a ligação com o cenho franzido, e, instantaneamente, sentiu o ar engrossar.
— É ele. — Henrique murmurou, tampando parcialmente o microfone e assentindo para ela.
O investigador.
Clara largou as xícaras.
Ele se afastou alguns passos e colocou a chamada no viva-voz, porque sabia que não havia mais o que esconder entre eles.
— Senhor Vasconcelos — disse Rafael, com um tom que anunciava notícia grave — fechamos a análise completa das digitais e do rastro de vigilância. Acho que o senhor deve se sentar.
Henrique tomou fôlego, mas permaneceu de pé, firme.
Clara se aproximou, parando ao lado dele, como se o corpo dela soubesse que precisava colar no dele naquele momento.
— Pode falar, Rafael — Henrique ordenou.
Do ou