O ranger metálico do portão da cela ecoou pelo corredor úmido e sombrio da penitenciária feminina. Amélia estava sentada no beliche inferior, vestida com o uniforme bege do presídio, os cabelos presos num coque apertado e o olhar perdido no chão de cimento frio. Ainda se recuperava dos efeitos da anestesia da retirada da bala em sua perna — e, indiretamente, do rumo que sua vida tomara desde aquela noite.
Era difícil aceitar estar ali. Uma cela. Uma cama dura. Uma privada à vista. E silêncio. S