Capítulo 13
Helena Baldin
Um dos policiais tocou o braço dele, talvez pedindo para recuar. E com um último olhar para a casa, um olhar que fez meu sangue gelar, Eduardo recuou.
Eles saíram, todos eles recuaram Dante, tinha todo esse poder.
Observei até a última viatura cruzar o portão e desaparecer pelo caminho de terra.
Dante ficou ali parado por alguns segundos. Sozinho. Imóvel. Como se estivesse deixando o próprio demônio dentro dele respirar antes de guardar ele novamente dentro de si.
Só então ele se virou e entrou na casa.
O silêncio no quarto seguro era tão pesado que eu poderia ouvir meu próprio coração batendo desesperado. Minhas mãos tremiam. Meu corpo inteiro estava frio, como se eu tivesse voltado para aquela antiga versão de mim, a que vivia pisando em ovos, apavorada, sempre à espera de um próximo ataque.
Eu não percebi que estava chorando até sentir as lágrimas pingarem no colo, e nas minhas mãos.
— Helena. — A voz de Dona Sônia me trouxe de volta. — Ele está vindo. Res