Andei até a esquina da praça e olhei ao redor. Nada. A sorveteria estava aberta, mas não havia sinal dele lá dentro.
Foi então que ouvi.
Uma voz, abafada, vinda de um beco entre a farmácia e uma loja de roupas.
— Não, não agora — disse ele, num tom diferente. Rápido. Direto. Baixo demais para ser ouvido por curiosos, mas claro o suficiente para mim.
Me aproximei em silêncio, colando as costas à parede do prédio e inclinando ligeiramente a cabeça para ouvir melhor.
Ele falava ao telefone.