SAVANA
A luz filtrada pelas cortinas fazia a sala parecer um lugar suspenso no tempo. Eu não sabia dizer que horas eram, só sentia o corpo inteiro pesado, como se as horas da madrugada tivessem virado areia dentro dos meus músculos. Amber respirava mansa ao meu lado, a boca entreaberta, os cabelos grudados na testa por mechas finas. Apollo, deitado ao lado do sofá, ergueu a cabeça quando me mexi e bateu o rabo uma vez só — como quem diz “tá tudo sob controle”.
Pisquei devagar. A memória veio po