CALEB
A cozinha da casa do meu pai sempre teve o mesmo som de fundo: o rádio chiando notícias que ninguém consegue entender, o tinido das xícaras e o estalar lento da lenha no fogão. Ele já estava sentado na ponta da mesa quando desci, o chapéu pendurado na cadeira ao lado e um maço de papel amarelado sob a mão — contas, listas, números. Sempre números.
— Dormiu? — ele perguntou, sem levantar muito a voz.
— Um pouco. — respondi, puxando uma cadeira. — Mas foi o suficiente.
Ele serviu o café par