SAVANA
A madrugada chegou com um silêncio espesso, desses que parece que se espalha por cima das coisas.
Eu estava na cozinha, sentada na ponta da mesa com uma caneca de chá nas mãos, quando ouvi o primeiro chamado baixinho:
— Mamãe…
Era uma voz rouca, sonolenta e trêmula.
Amber.
Larguei a caneca no pires e subi as escadas quase correndo. A porta do quarto dela estava entreaberta — deixo sempre assim, pra ouvir qualquer coisa. A luz fraca da luminária de coelhinho desenhava sombras suaves na