Voltei para o arquivo com a cabeça fervendo. Não importava quantas pastas eu carregasse, quantos relatórios tivesse que separar, Isabela não saía da minha mente. Era como se cada corredor me lembrasse dela, cada pilha de documentos tediosos fosse apenas pano de fundo para o rosto sério dela, para os olhos que pareciam atravessar qualquer máscara que eu tentasse usar.
O tempo passava devagar, mas ao mesmo tempo corrido. Entre uma sala e outra, entregando relatórios, recolhendo documentos, ainda me pegava pensando nela, na forma como tinha falado do pai, no rubor quase imperceptível quando eu soltava uma provocação.— Dante! — uma voz feminina me chamou, arrastada e doce.Era Mariana, do departamento de compras. Morena alta, corpo marcado pela academia, e um daqueles sorrisos fáceis que ela distribuía como se fossem convites. Estava encostada na mesa, equilibrando umas pastas contra o quadril.— Pode me ajudar com isso? — perguntou, num tom leve, ma