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Capitulo 7: O Homem por detrás da máscara

A tarde avança lentamente até que a noite se impõe.

É já quase ao cair do dia que a camareira entra no meu quarto, trazendo nas mãos um envelope selado.

— Dona Léonor… chegou mais um convite.

Ergo os olhos de imediato. Ela aproxima-se, visivelmente entusiasmada.

— Trata-se de um baile de máscaras — continua. — No castelo de Sua Graça, o Duque Alexander Weston.

O meu coração acelera, contra a minha vontade.

— Um baile de máscaras ? — repito.

— Dizem que toda a alta sociedade estará presente — acrescenta, em tom conspiratório. — Muitas famílias importantes e vários casais já confirmaram presença.

A ideia prende-me de imediato. Uma noite sem nomes, sem títulos, sem expectativas.

A camareira sorri, cúmplice.

— Pedi à costureira que preparasse uma máscara… caso aceitasse o convite.

Olho para ela, surpreendida.

— Pensaste em tudo.

— Claro, minha senhora.

Agradeço-lhe com um breve aceno.

Mais tarde, ajuda-me a vestir um vestido azul profundo, bordado com finos fois de prata que captam a luz a cada movimento. Os brincos combinam, assim como a tiara delicada que prende o cabelo com uma elegância estudada. As luvas são brancas, impecáveis. O casaco, de tecido azul claro, cai-me sobre os ombros com leveza.

Ao descer as escadas, cruzo o olhar da governanta. Ela observa-me em silêncio. Não diz palavra. O olhar diz tudo — mas não a deixo ler-me.

Entro na carruagem.

Ao chegar ao castelo do duque, fico momentaneamente sem fôlego. A construção é imponente, iluminada por centenas de luzes. Carruagens chegam umas atrás das outras. Casais descem, rindo, ajeitando máscaras, exibindo sedas e jóias.

Entro no grande hall, retiro o casaco e entrego-o a um serviçal. Certifico-me de que a máscara está bem colocada antes de avançar.

Assim que chego ao salão de baile, um burburinho percorre a sala.

— Quem é ela ?

— Que vestido magnífico…

— Será uma princesa ? Ou uma condessa ?

Finjo não ouvir.

A luz é baixa. Reflexos dourados dançam nas paredes. Candelabros envoltos em tecidos translúcidos criam sombras delicadas. As máscaras transformam os rostos em mistério e anulam nomes, títulos e destinos — pelo menos por esta noite.

Não sou Léonor Alencourt esta noite.

Sou apenas uma mulher escondida atrás de uma máscara.

A música flutua no ar, suave e envolvente. Os casais rodopiam como peças de um jogo antigo. Risos contidos. Olhares calculados. Promessas vazias.

Caminho devagar, observando.

Então acontece.

Um corpo esbarra no meu.

Não com rudeza, nem com descuido. É um choque breve, contido… quase respeitoso. Dou um passo atrás instintivamente.

— Perdoe-me.

A voz detém-me.

Não é apressada.

Não é ensaiada.

Não soa como nenhuma outra que já ouvi.

— Foi distração minha — diz o desconhecido, inclinando ligeiramente a cabeça. — Um erro… mas assumido.

Ergo o olhar.

Ele usa uma máscara escura, simples. O traje é elegante, sem ostentação. Nada nele grita estatuto — e, ainda assim, tudo nele chama a atenção.

— Poucos homens pedem desculpa como se fosse uma escolha — digo, antes que consiga impedir-me.

Os olhos por detrás da máscara parecem sorrir.

— Poucas mulheres aceitam desculpas sem segundas intenções.

Há algo na forma como fala que me prende. Não tenta impressionar. Não procura aprovação.

— Veio sozinha ? — pergunta, sem invasão.

— Vim porque quis — respondo. — E isso costuma ser suficiente.

— Concordo.

O meu corpo reage antes da razão.

— Então falamos a mesma língua — penso, com um meio sorriso que ele não pode ver.

A música muda.

Os violinos elevam-se. A cadência torna-se mais marcada. Casais dirigem-se para o centro do salão.

O desconhecido estende-me a mão.

— Poderia conceder-me esta dança… Lady ? — pergunta, tentando adivinhar o meu nome.

Hesito.

Aceitar é expor-me.

Recusar seria mentir a mim mesma.

— Apenas uma — respondo.

Entramos na pista.

À nossa volta, os corpos giram, mas sinto algo diferente acontecer. Os olhares convergem. Não por quem somos, mas pela forma como dançamos. Não há disputa nem exibição. Apenas sintonia.

Ele segura a minha mão com uma firmeza tranquila. O meu braço desliza sobre o seu.

Observo-o.

É alto. Cabelos escuros. Corpo seguro, maduro.

— Já nos conhecemos antes ? — pergunto, sem saber porquê.

Ele inclina levemente a cabeça, conduzindo-me com naturalidade.

— Não.

— Fala como alguém que não se deixa definir — murmuro.

— E a senhora impõe-se à sociedade… interessante.

O meu coração acelera.

Não é sedução.

É reconhecimento.

A música termina.

Ele solta a minha mão, mas não se afasta de imediato.

— Espero que esta noite lhe pertença — diz.

Antes que eu responda, desaparece entre a multidão.

Fico imóvel.

Com a estranha certeza de que, pela primeira vez em muito tempo, alguém tocou no meu verdadeiro eu… com apenas uma dança.

Afasto-me da pista, confusa. Nunca conheci alguém que se impusesse ao mundo da mesma forma que eu. É desconcertante.

Aproximo-me de um serviçal, pego numa taça e encosto-me à parede. Observo os casais. Pergunto-me quem é aquele homem. Pertencerá a alguma família conhecida ? Pena não lhe poder ver o rosto.

Um homem aproxima-se.

— Boa noite, Lady. Está a gostar da festa ?

— Sim… mas confesso que esperava mais.

— Como assim ?

— Os bailes são sempre a mesma monotonia. O mercado casamenteiro da sociedade é vasto… e previsível.

— Uma lady nasce para se submeter a esse mercado — responde ele. — Esse é o seu propósito.

É arrogante. Narcisista. Acredita que as mulheres existem para gerar herdeiros.

Antes que eu responda, alguém interrompe.

— Lady… dá-me a honra desta dança ?

Viro-me.

É o homem da máscara.

O alívio é imediato. Um pequeno sorriso escapa-me.

— Sim, obrigada.

Seguimos para a pista.

— Obrigada por me salvar — digo.

— O conde Harrow tem tendência a ser previsível — responde.

— Sei defender-me sozinha — digo, fria.

— Não duvido. Parece-me uma das suas qualidades.

— Uma das minhas qualidades ?

— Altiva. Um pouco arrogante. Desobediente.

— Desobediente ?! — indigno-me.

— A sua melhor qualidade — diz calmamente. — Impor-se à sociedade. Estou errado ?

Fico sem resposta por um instante.

— Talvez esteja certo… e o senhor ? — pergunto. — Quem é ?

Ele inclina-se levemente.

— Chame-me Carter… William Carter.

O nome soa imponente. Um nome de boa família.

— Se me permite, vou ausentar-me — diz.

Faz uma vénia.

— Foi um prazer conhecê-la… Lady.

— Lady Alencourt — respondo.

— O prazer foi meu — digo, devolvendo a vénia.

Depois desse momento, pego o meu casaco e entro novamente na carruagem.

Adoro esta noite. A conversa com o senhor William permanece comigo.

Gostaria de o ver outra vez… mas seria imprudente.

Daria a impressão errada.

Como se eu estivesse desesperada, ou pior ainda, à procura de um marido.

Ao regressar à mansão, sou recebida pela camareira assim que entro no quarto. O seu rosto está iluminado por uma curiosidade mal contida, os olhos brilham de excitação.

— Então, minha senhora? — pergunta de imediato. — Como correu o baile?

Enquanto me ajuda a desapertar o vestido e a libertar-me das joias, começo a contar-lhe. Digo-lhe que dancei. Que não foi um baile como os outros. Que houve um desconhecido.

Ela escuta com atenção, cada gesto suspenso, cada respiração contida.

Conto-lhe que dançámos juntos mais do que uma vez. Que ele não falava como os outros homens. Que não tentava impressionar, nem impor-se. Digo-lhe o nome que me deu.

— Chamava-se William Carter — explico. — E tinha… os mesmos princípios que eu.

A camareira sorri, daquele sorriso cheio de esperança que não ousa ir longe demais.

— Será que esse senhor misterioso vai acender a chama no seu coração? — pergunta, quase em sussurro.

Fico em silêncio por um instante, sentindo ainda o eco daquela dança, daquelas palavras.

— Não sei… — respondo por fim. — Só sei que fiquei impressionada com o modo como falava. Com aquilo que dizia… e com aquilo que não precisou dizer.

Quando finalmente fico sozinha, antes de me deitar, olho uma última vez para a máscara pousada dentro da caixa.

Bordada à mão, adornada com delicados fios azuis e pequenas joias que cintilam à luz suave do quarto.

Ela simboliza tudo aquilo que desejo…

Aquilo que sonho ter um dia.

A minha liberdade.

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