Acordo com a luz da manhã a infiltrar-se pelo quarto. As cortinas são abertas pela camareira, deixando entrar o sol claro de um novo dia. Pisco os olhos, incomodada, ainda cansada, com o corpo pouco disposto a obedecer à rotina. No entanto, há algo naquela luz, naquela claridade insistente, que me arranca um suspiro involuntário.— Vai ser um dia bonito — diz a camareira, com um sorriso breve, quase cúmplice.Não respondo de imediato. Limito-me a observá-la pelo espelho enquanto se aproxima para me ajudar a levantar. Há uma estranha ironia em tudo aquilo: um dia bonito, quando sei que o meu destino já começou a ser traçado por outros.Ajudada por ela, preparo-me como de costume. Lavo o rosto, deixo que me penteie o cabelo, escolho um vestido simples, adequado à manhã, de tecido leve e cor clara, sem adornos desnecessários. A camareira ajusta-o com precisão, como sempre fez, certificando-se de que tudo está no lugar antes de se afastar.Desço depois à sala de refeições. O pequeno-a
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