Ergo ligeiramente a cabeça, quase por instinto.
Ao longe, ouço o som ritmado da poda — a tesoura a cortar ramos, folhas, flores. Um som banal, doméstico… e ainda assim suficiente para me alertar.
Tenho a súbita sensação de que não estamos sozinhos.
O meu olhar percorre o jardim com descrição e detém-se apenas por um segundo junto aos canteiros mais afastados. Entre as roseiras, alguém trabalha a terra, inclinado, concentrado no que faz.
Não preciso ver melhor.
Eu sei que é ele.
O sangue sobe-me