Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo mundo exclusivo dos leilões milionários da Europa, onde obras de arte escondem segredos mais valiosos que ouro, confiança é uma moeda mortal. Genebra nunca dorme e entre galerias luxuosas, colecionadores poderosos e organizações criminosas invisíveis, Valentina Svanova construiu sua reputação como uma curadora de arte impecável. O que ninguém sabe é que ela também é uma especialista em recuperar obras roubadas para uma divisão secreta conhecida apenas como DRT. Sua missão é simples: encontrar o lendário “Coração de Vênus”, uma joia ligada a segredos de estado capazes de destruir governos inteiros. O que complica seu trabalho tem nome e sobrenome. Dante Valenti. Bilionário do setor tecnológico. Frio. Inteligente. Irresistivelmente perigoso e também um agente infiltrado da Interpol disposto a destruir a organização criminosa responsável pelo tráfico internacional de obras de arte. Valentina é sua principal suspeita e o plano era simples: aproximar-se dela, ganhar sua confiança e desmascará-la. Até uma noite em um leilão beneficente transformar atração em desastre. Depois de uma tentativa de assassinato, perseguições pelas ruas chuvosas da Suíça e um segredo escondido dentro da casa de Valentina, os dois percebem uma verdade inconveniente: Estão caçando os mesmos inimigos. Agora, presos em um pacto perigoso, Dante e Valentina precisarão fingir ser um casal durante uma turnê de exposições pela Europa enquanto tentam descobrir quem está por trás do “Coração de Vênus”. A regra é simples: não confiar, não se apaixonar e jamais abaixar a guarda. O problema? Eles já começaram a falhar nas três coisas. Entre mentiras, desejo, agências secretas e uma adolescente inteligente demais para acreditar em desculpas ruins, Dante e Valentina descobrirão que algumas obras de arte não são as únicas coisas capazes de matar. Porque o amor, às vezes, é apenas outra forma sofisticada de guerra.
Ler maisGenebra brilhava como uma mulher perigosa naquela noite, linda o suficiente para distrair e fria o suficiente para matar.
A chuva fina deixava as ruas espelhadas do lado de fora do Grand Hôtel Lumière, enquanto homens milionários e mulheres envoltas em seda desfilavam pelo salão principal fingindo estarem ali pela caridade. Ninguém doa milhões por bondade, doam por influência, culpa ou lavagem de dinheiro, muitas das vezes os três. Entreguei meu convite ao segurança da entrada com um sorriso discreto, ele verificou meu nome na lista e mudou imediatamente de postura. O nome Valentina Svanova abria portas, meu verdadeiro nome, não. Atravessei o salão sentindo o peso familiar da vigilância deslizar pela pele, não precisei olhar diretamente para identificar: Quatro seguranças armados; duas câmeras móveis; uma saída de serviço atrás das esculturas renascentistas; e um homem bêbado prestes a tropeçar numa peça avaliada em quase meio milhão de euros. Elegância é só caos usando perfume caro, peguei uma taça de champanhe com um garçom e continuei andando devagar, observando os quadros expostos sob a iluminação dourada. O “Coração de Vênus” ainda não havia aparecido, claro que não! Uma joia daquela magnitude não seria exibida assim tão rápido. Primeiro, eles atraem os tubarões e depois jogam a isca na água. Meu telefone vibrou discretamente dentro da clutch, não peguei. Se a DRT estivesse impaciente, deveriam ter recrutado outra pessoa, tenho meu método de agir e não vou mudar por causa de um bando de engravatados que acham que mandam em mim. Parei diante de uma pintura barroca apenas para utilizar o reflexo do vidro como apoio visual. Um casal discutia próximo à escadaria e dois homens trocavam envelopes perto do bar. Um político francês sorria para fotógrafos como quem nunca havia cometido crimes financeiros na vida. Amador. Então senti aquela sensação que minha filha chama de sentido aranha. O instinto frio de quem percebe estar sendo observado por outro alguém treinado, ergui os olhos lentamente para o outro lado do salão e o encontrei. Terno preto impecável, a postura relaxada demais para o ambiente mantinha uma das mãos no bolso e a outra segurando um whisky. Os olhos escuros estavam fixos em mim, não em meu vestido, nem em meu corpo. Em mim. Aqueles olhos analíticos, precisos e muito perigosos, meu primeiro pensamento foi simples: Interpol. Meu segundo pensamento foi pior: problema. Ele ergueu levemente o copo em minha direção, não sorri de volta, mas também não abaixei a cabeça. Homens confiantes demais normalmente escondem alguma coisa e homens calmos demais escondem corpos, de qual será a categoria deste? Meu instinto me diz que, até o final da noite, vou descobrir. Voltei a olhar a pintura como se não tivesse notado a presença dele. Três segundos depois, uma voz grave surgiu ao meu lado. — Você está analisando as pinceladas ou procurando rotas de fuga? Mantive os olhos na tela. — Isso depende, você costuma encurralar mulheres em eventos beneficentes? — Só as suspeitas. Virei o rosto devagar e constatei que, de perto, ele era ainda mais perigoso. Bonito, elegante, mordaz e, infelizmente, o tipo de homem que parecia pertencer naturalmente a ambientes caros e provocar minhas decisões ruins. —Pareço suspeita? — Você parece atenta, existe uma pequena diferença. A voz dele era controlada, precisa e cada palavra parecia escolhida antes de sair. Observei discretamente sua aliança inexistente, o relógio absurdamente caro e a leve marca sob o punho esquerdo. Uma arma. Muito interessante. — Imagino que você seja do tipo que acha tudo e todos suspeitos. — Profissão ruim para confiar nas pessoas. Aquilo fez meu estômago apertar por um segundo. Profissão. Então ele estava testando terreno e resolvi jogar também. — E qual é sua profissão? — Investimentos e muito interessado em itens raros. — Não me parece só isso. — Curadora de arte. — Também não parece só isso. Finalmente sorri, um sorriso contido, mas eu não consegui controlar, ele está mexendo com meus nervos. Os olhos dele escureceram quase imperceptivelmente ao perceber. Ah! Então era assim que ele queria brincar. — Você aborda todas as mulheres desse jeito? — Só as que observam câmeras antes de observar pinturas. Droga. Mantive a expressão neutra, mas minha pulsação desacelerou daquele jeito específico que antecede perigo real. Ele havia notado, não era um milionário entediado, era treinado. — Talvez eu só seja cuidadosa. — Talvez eu também. A orquestra tocava baixo ao fundo, taças tilintavam e lances milionários começavam próximos ao palco principal. Ainda assim, parecia que o salão inteiro tinha desaparecido, restávamos apenas nós naquele jogo silencioso. — Não me disse seu nome. Ele comentou. Inclinei levemente a cabeça. — Valentina Svanova, curadora da galeria. Ele repetiu mentalmente, vi no olhar, guardando, catalogando e arquivando. Então estendeu a mão. — Dante Valenti. O toque foi firme, quente e perigoso demais. E naquele instante, tive absoluta certeza de uma coisa: Conhecer Dante Valenti seria um erro colossal. O problema? Meu corpo inteiro já parecia disposto a cometer esse erro assim mesmo.Fechei os olhos por um segundo inteiro tentando decidir qual incêndio apagar primeiro.Minha filha curiosa ou o agente infiltrado perigosamente inteligente parado bem na minha frente.Os dois me observavam, esperando uma resposta.Excelente.— Não foi um ferimento de bala.Falei calmamente e Dante cruzou os braços me encarando.Traidor silencioso.Natacha apontou imediatamente para a faixa no braço dele.— Mãe, ele literalmente parece ter sobrevivido a uma guerra civil.— Foi uma tentativa de assalto.Corrigi antes que Dante resolvesse tentar colaborar.— Tentaram roubar o carro dele perto do hotel.Natacha arregalou os olhos.— Em Genebra?— A criminalidade está por toda parte.Murmurei.Dante manteve os braços cruzados e o olhar focado em mim, claramente interessado em assistir à minha improvisação desesperada.Filho da mãe.— E, por coincidência, você estava lá?Natacha perguntou imediatamente, claro que ela ia perguntar, porque gerar uma adolescente inteligente foi claramente uma
ValentinaAcordei antes do despertador.Durante alguns segundos, fiquei imóvel, ainda presa naquele estado estranho entre o sono e a realidade, sentindo o calor do corpo de Dante atrás do meu.O braço dele continuava pesado sobre minha cintura como se, mesmo dormindo, ainda tivesse decidido que eu não iria fugir.Péssima decisão para nós dois.A chuva havia diminuído lá fora e a claridade cinza da manhã começava a atravessar as cortinas do quarto lentamente.Virei o rosto só o suficiente para olhar para ele.Dante dormia profundamente agora, a respiração finalmente tranquila, os cabelos escuros bagunçados e a expressão menos dura do que durante a noite.Sem o sarcasmo, sem tensão e sem aquele olhar perigosamente atento…Parecia até mais jovem e isso foi um problema.Porque homens como Dante não deveriam parecer vulneráveis e nem seguros dentro da minha cama e muito menos usando as roupas do meu marido morto.O pensamento atravessou meu peito como um pequeno corte frio, desviei os olho
Os olhos escuros encontraram os meus por meio segundo e ali estava aquela perda de controle finalmente aparecendo.Aquela sensação de poder me atingiu, porque Dante parecia um homem que nunca perdia o controle ou se deixava dominar por algo.E hoje… estava perdendo por minha causa.A mão dele subiu lentamente pela minha coxa exposta pela abertura rasgada do vestido, parando na faca presa ao acessório.Ele soltou uma risada baixa, ainda ofegante.— Você realmente dorme armada.— Você realmente invadiu minha casa sangrando.— Tecnicamente, fui convidado.Acabei rindo e foi um erro fatal, porque Dante olhou para mim naquele instante como se aquele som tivesse desmontado alguma coisa dentro dele.— Você é uma mulher surpreendente.Olhei séria para ele e respondi.— Isso pode fazer parte de meu método de interrogatório.Dante deslizou a mão nas minhas costas e abriu o zíper do vestido.— Se isso for um interrogatório, vou confessar até o que não fiz.Engoli seco porque aquela frase mexeu c
Quando finalmente ergui os olhos outra vez… erro estratégico.Dante tinha se aproximado, agora estava próximo demais.O cheiro do meu sabonete, chuva e whisky ainda permanecia nele e agora, misturado ao calor da pele limpa, aquilo ficou perigosamente masculino.Meu coração deu outra daquelas batidas idiotas.Inaceitável.Os olhos dele percorreram meu rosto lentamente e dessa vez não havia sarcasmo ali, só atenção, talvez estivesse tentando me ler.— Você parece cansada.A frase saiu baixa e gentil demais e isso me desmontou mais do que deveria.Desviei o olhar, pedindo aos céus que me desse controle.— Longa noite e ainda não acabou.A pior parte não era o fato de Dante estar sem camisa no meu quarto, e sim o fato de meu corpo estar reagindo como se aquilo fosse exatamente onde ele deveria estar.Eu sabia que aquilo era errado, mas entre saber e fazer o certo, essa noite estou propensa a cometer alguns erros.Os olhos dele continuavam presos nos meus, daquele jeito intenso demais para





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