Alice acordou antes do sol nascer. O quarto onde dormia, outrora de seus pais, mantinha o cheiro da infância: madeira envelhecida, cortinas com perfume de lavanda e o rangido discreto do assoalho antigo. A mãe ainda dormia no quarto ao lado, respirando com dificuldade, mas em paz.
Nos últimos dias, Alice parecia viver em suspenso — como se a vida a tivesse deixado entre parênteses. Dividia o tempo entre cuidar da mãe, lidar com advogados e, quando a noite caía, permitir-se uma saudade que vinha