Mundo de ficçãoIniciar sessãoLuna Clarke não deveria estar ali. O emprego não era para ela. A entrevista nem estava nos seus planos. Mas, por um acaso do destino, ela acaba dentro da imponente casa do CEO mais temido da cidade. Sebastian Hale é viúvo, frio e inabalável. Um homem que transformou dor em disciplina e silêncio em autoridade. Em sua casa, regras são seguidas à risca… e com um filho que sofre de terrores noturnos, nenhuma babá jamais permaneceu tempo suficiente para se tornar parte da rotina. Até que Luna chega. O que começa como um trabalho temporário logo se transforma em algo que desafia limites profissionais e muros emocionais cuidadosamente construídos. Porque, pela primeira vez desde a tragédia que marcou sua vida, Sebastian vê o filho sorrir com leveza. Quando tudo parece estar começando a se encaixar, algo que deveria estar morto e enterrado, irá surgir com uma ameaça capaz de destruir a frágil paz que eles construíram. Luna vai precisar decidir se, por amor, está pronta para enfrentar o passado de um homem que ainda carrega cicatrizes profundas… e Sebastian terá que escolher entre a razão e o amor por uma mulher que entrou em sua vida por acidente — mas pode ser a única capaz de salvá-lo. Algumas histórias de amor não começam com destino. Começam com um erro. E podem terminar em redenção… ou ruína.
Ler mais“Caso o pagamento não seja feito até dia 05/05, todas as suas coisas serão colocadas na calçada.”
Luna suspira pesadamente, lendo pela trigésima vez o bilhete preso a sua geladeira, antes de abrir o eletrodoméstico e tirar dali uma maçã.
Ela nunca imaginara que aos vinte e cinco anos, morando na cidade que sonhava em conhecer desde que era criança, estaria vivendo praticamente na miséria.
Uma semana comendo apenas a noite, para economizar os poucos macarrões instantâneos que estavam na dispensa; bebendo água da torneira, por não ter dinheiro para comprar água no mercado. Perdida, por não ter ninguém que pudesse ajudá-la.
O barulho do toque do seu celular, tira Luna do transe que aquele bilhete a fazia entrar toda vez que o lia. Ela corre pelo pequeno apartamento de três cômodos e procura o aparelho no meio das cobertas.
Luna havia distribuído seu currículo profissional por todo lugar possível, em busca de qualquer trabalho que colocasse comida na sua mesa e dinheiro no bolso.
— Alô! — ela quase grita, assim que atende a ligação. — Alô?
— Luna Clarke?
— Sim! Sou eu.
— Falo da Maison Ardent. Recebemos seu currículo para a vaga de atendente de loja. A senhora ainda tem interesse?
O coração de Luna dispara. Maison Ardent. O nome lhe soa caro demais para alguém que contava moedas no fundo da bolsa.
— Tenho, sim. — responde rápido, com a voz um pouco mais alta do que gostaria. — Tenho total interesse.
— Ótimo. Passe aqui em uma hora, para uma entrevista.
— Uma hora? — Luna repete, mais para si do que para a mulher do outro lado da linha.
— Sim. Consegue?
Ela olha ao redor do apartamento pequeno, quase vazio. Para o espelho manchado apoiado na parede. Para a geladeira com mais silêncio do que comida. Consegue. Ela precisava conseguir.
— Consigo, sim — responde, firme. — Estarei aí.
— Anote o endereço. — A voz dita rapidamente, profissional, impessoal. — Traga um documento com foto.
A ligação se encerra antes que Luna possa dizer qualquer outra coisa.
Por alguns segundos, ela fica sentada na cama, o celular ainda colado à orelha. Então solta um riso nervoso, curto, quase incrédulo. Uma entrevista. Em uma hora. Como uma menina adolescente, convidada para o primeiro encontro, Luna sobe em sua cama e começa a pular.
— Eu vou conseguir!
Luna desliza da cama e encara o guarda-roupa estreito. Duas calças, algumas blusas desbotadas, nada que gritasse Maison Ardent. Nada que gritasse elegância.
Ainda assim, era o que ela tinha.
Depois de um banho rápido, quase apressado demais para aproveitar o calor da água, Luna veste uma calça jeans simples, uma blusa neutra e a jaqueta surrada que a acompanhava desde que chegara a Londres. Passa os dedos pelos cabelos ainda úmidos, tentando domá-los, e aplica um pouco de corretivo sob os olhos fundos.
Sem tempo a perder, ela enfia o documento na bolsa, pega o casaco e sai, trancando a porta com cuidado, como se aquele pequeno apartamento fosse tudo o que ainda lhe restava no mundo.
Londres a recebe com o caos de sempre. Pessoas apressadas, buzinas, passos apressados ecoando pelas calçadas largas. Luna caminha rápido, quase correndo, desviando de desconhecidos. O vento frio corta seu rosto, mas ela não diminui.
Desce as escadas do metrô ofegante, passa o cartão com os dedos trêmulos e se apoia por um segundo na parede da plataforma. O trem chega com um estrondo metálico, e Luna entra no vagão pouco antes das portas se fecharem.
Enquanto observa seu reflexo distorcido no vidro da janela, ela aperta a alça da bolsa com força.
— Vai dar certo. — ela murmura, para sua imagem. — Vai dar.
Em meia hora, o metrô a deixa na estação mais próxima da rua das grifes. Luna olha para todas as fachadas daquelas lojas chiques, deslumbrada. Ela não poderia pagar um grampo de cabelo sequer, de qualquer um daqueles lugares.
Assim que chega em frente a Maison Ardent, Luna encara os vestidos expostos na vitrine. Tecidos impecáveis, cortes sofisticados, preços que ela sequer ousava imaginar. Por um instante, sente o impulso de dar meia-volta. Mas respira fundo, endireita a postura e empurra a porta de vidro.
O sino discreto anuncia sua entrada.
O interior da loja é ainda mais intimidador do que a fachada. Tudo é claro, elegante, silencioso demais. Antes que Luna possa dar dois passos completos, uma vendedora se aproxima. Alta, magra, perfeitamente produzida. O salto ecoa no piso enquanto o olhar da mulher a percorre lentamente, dos sapatos gastos até a jaqueta surrada.
— Posso ajudar? — pergunta, o tom polido demais para ser gentil.
O olhar continua ali, avaliando. Julgando.
— A senhorita está… perdida?
— Não. — Luna responde, rápido. — Meu nome é Luna Clarke. Eu tenho uma entrevista de emprego.
Por um segundo, o silêncio se estende entre as duas. Então a vendedora solta uma risada baixa, quase imperceptível, levando a mão perfeitamente manicura aos lábios.
— Entrevista? — repete, arqueando a sobrancelha.
O olhar dela corre pela loja, como se procurasse confirmação de algo invisível, antes de voltar para Luna.
— Aqui?
Luna abre a boca para responder, quando uma voz firme interrompe o momento.
— Algum problema aqui?
Uma outra mulher surge de trás do balcão central. Diferente da vendedora, ela não ostenta exageros. Usa um conjunto elegante, sóbrio, e carrega uma postura segura, de quem está acostumada a comandar. Seu olhar passa rapidamente pela cena, atento, avaliando.
A vendedora inclina levemente a cabeça, com um meio sorriso que não alcança os olhos.
— Essa… moça está dizendo que tem uma entrevista aqui — explica, apontando para Luna com desdém mal disfarçado. — Deve ter confundido os quarteirões.
— É mesmo? — a mulher pergunta, agora diretamente para Luna. — Qual é o seu nome?
Luna engole em seco.
— Luna Clarke.
O semblante da mulher muda.
— Oh… — ela murmura. — É verdade. Você tem uma entrevista.
A vendedora perde o sorriso, ainda que tente disfarçar.
— Foi eu quem te ligou mais cedo — completa a mulher, voltando-se totalmente para Luna. — Venha comigo, por favor.
Sem lançar sequer um olhar para a funcionária, ela faz um gesto para que Luna a acompanhe. Luna segura a alça da bolsa com ainda mais força, enquanto atravessa a loja atrás da gerente.
Antes que consiga dar um passo para trás, mãos firmes se fecham ao redor de seus braços. Luna prende a respiração, o coração disparando, o corpo reagindo antes da mente. O choque a faz erguer o rosto no mesmo instante. O homem à sua frente tem o dobro do seu tamanho; ombros largos; os olhos são de um azul frio, atento; o cabelo está perfeitamente penteado para trás, a barba bem feita, o terno escuro impecável. Ele a segura com força suficiente para impedir que ela caia, mas não afrouxa. O olhar dele desce rápido pelo rosto dela, avaliando. — Quem é você? — a voz sai baixa, firme, sem qualquer traço de gentileza. Luna engole em seco. A proximidade a deixa sem ar. O cheiro discreto de perfume caro, o calor do corpo dele tão perto, as mãos ainda presas em seus braços. — E-eu… — ela gagueja, sentindo o rosto esquentar. — Eu sou a Luna. A... babá? Os olhos dele vão do rosto dela para a porta do quarto de Oliver e em seguida volta para Luna. — Conheceu o Oliver. — não foi uma perg
— Meu nome é Margaret. — a empregada diz enquanto fecha a porta atrás delas. — O senhor Hale está ocupado e vai encontrá-la assim que acabar. O menino está no quarto, no andar de cima. Menino. Luna engole em seco, apertando a alça da bolsa com força. — Desculpe, acho que houve um engano... — ela começa, tentando recuperar o controle da própria voz. — Eu vim para uma entrevista... ainda não fui con... — O quarto é o segundo à direita — Margaret a interrompe, já caminhando pelo corredor amplo. — Ele já jantou e está pronto para dormir... ou só ficar deitado lá. Luna para. O nome menino ecoa de novo em sua cabeça, agora acompanhado de algo muito pior: certeza de que aquilo não era uma entrevista. — Com licença — diz, um pouco mais firme, forçando os pés a ficarem no lugar. — Acho que houve um engano. Eu vim apenas conversar sobre a vaga. Não recebi nenhuma confirmação… Margaret finalmente se vira para ela. O olhar da mulher é sério, experiente demais. — Senhor Hale não costum
Luna sente a respiração falhar. Quase cinco mil libras. Ela aperta o papel com cuidado, como se aquilo pudesse desaparecer se fosse brusca demais. Babá... Apesar de sua mãe ter tido um abrigo, após elas se mudarem para NY, Luna não teve contato com outras crianças. Muito menos quando estava mais velha. Mas por cinco mil euros mensais, Luna estava disposta a ser babá até de cachorro. O endereço chama sua atenção. Chelsea. Um dos bairros mais caros de Londres. — Isso só pode ser brincadeira… — murmura. Ela vira o papel, esperando encontrar alguma explicação, um nome, qualquer coisa. Mas há apenas um detalhe a mais, escrito à mão no rodapé: “Compareça hoje, às 19h. Pergunte por Sebastian Hale.” O café já esfriara em suas mãos, esquecido. Aquele trabalho não era dela. Nunca fora. O envelope tinha dono. Dona. A mulher apressada. A verdadeira candidata. — Não é meu… — sussurra, mais para se convencer do que por certeza. Ela imagina a mulher voltando à cafeteria, percebendo o e
Nos fundos da loja, o ambiente é mais simples, funcional. Um pequeno escritório envidraçado, com uma mesa organizada e duas cadeiras à frente. A mulher fecha a porta atrás delas e se vira para Luna. — Sente-se — diz, indicando a cadeira. — Me chamo Helena. Luna obedece, sentindo as mãos levemente trêmulas enquanto se senta. Helena abre no computador, o currículo de Luna. Ela passa os olhos rapidinho e se vira para ela. — Me conte da sua trajetória. — Ah, menina... eu nem te conto. — Helena ergue uma sobrancelha, quando Luna relaxa na cadeira. — Eu fui largada na porta de um abrigo, com dias de vida. A dona de lá, Martina, foi quem me deu o nome Luna, pois disse que me viu pequena e chorosa, a luz do luar. Ela me adotou, o abrigo fechou meses depois e ela foi embora para NY comigo. Eu cresci ouvindo histórias de Londres, sobre como era fria e ao mesmo tempo incrível. Nunca fui atrás dos meus pais verdadeiros, por falta de interesse, mas... minha mãe morreu ano passado e me deixou
“Caso o pagamento não seja feito até dia 05/05, todas as suas coisas serão colocadas na calçada.” Luna suspira pesadamente, lendo pela trigésima vez o bilhete preso a sua geladeira, antes de abrir o eletrodoméstico e tirar dali uma maçã. Ela nunca imaginara que aos vinte e cinco anos, morando na cidade que sonhava em conhecer desde que era criança, estaria vivendo praticamente na miséria. Uma semana comendo apenas a noite, para economizar os poucos macarrões instantâneos que estavam na dispensa; bebendo água da torneira, por não ter dinheiro para comprar água no mercado. Perdida, por não ter ninguém que pudesse ajudá-la. O barulho do toque do seu celular, tira Luna do transe que aquele bilhete a fazia entrar toda vez que o lia. Ela corre pelo pequeno apartamento de três cômodos e procura o aparelho no meio das cobertas. Luna havia distribuído seu currículo profissional por todo lugar possível, em busca de qualquer trabalho que colocasse comida na sua mesa e dinheiro no bolso. —
Último capítulo