Mundo ficciónIniciar sesiónFilha de um chefe nômade, Zara cresceu no deserto sob regras rígidas, tradições implacáveis e um destino que não lhe permitia escolhas. Curandeira desde jovem, acreditava que sua vida estava traçada: um casamento arranjado com um homem cruel. Mas tudo muda quando ela encontra Samir, um viajante misterioso gravemente ferido às margens de um oásis. Sem saber que ele é o herdeiro de um dos tronos mais poderosos do deserto, Zara o salva — e entre eles nasce um amor proibido, intenso e silencioso. Samir promete voltar... Zara, decidida a viver ao menos uma escolha própria, entrega-se a uma única noite de amor. O que parecia apenas uma despedida torna-se um segredo impossível de esconder: ela está grávida de gêmeos, herdeiros de um trono que desconhece. Enquanto Samir enfrenta traições dentro do palácio e busca quem tentou matá-lo, Zara luta contra a tradição, o risco de perder seus filhos e a ameaça de um casamento que pode destruir tudo. Separados por mundos opostos, unidos por um destino maior, eles precisarão desafiar honra, poder e tempo. Do deserto ao palácio, esta é uma história sobre amor escolhido, maternidade e sobrevivência — um laço que nem a areia, nem o trono, nem o destino conseguem romper.
Leer másO DESERTO
SAMIR A dor precedeu a escuridão, servindo como um aviso silencioso de um grande desastre, prenunciando a tragédia que estava prestes a se desenrolar. — Senti o impacto rasgar o ar como um lamento abafado, atravessando meu corpo , meu corpo queimando como água fervendo, cortando carne e a esperança. O Faruk meu cavalo empinou, seus cascos golpeando desesperadamente o chão árido, quando ouviu os tiros, e enquanto o mundo girava em uma dança descontrolada, senti algo queimar atravessar minha pele. — Em seguida, restaram apenas areia, sangue e o gosto metálico que se espalhou em minha boca, evocando a tristeza que invade a alma nos momentos de desespero. O ataque foi tão rápido e letal, foi preciso demais para ser acidental, os tiros disparados por um um atirador habilidoso eles vão me matar foi meu pensamento. Alguém deseja minha morte. — buscando um eco de desespero em um deserto já saturado por histórias não contadas. Tenho consciência disso, enquanto meu corpo me trai e fingi que estava morto; fiquei parado esperando eles vinhessem como uma marionete sem fios, abandonada em um palco desolado. Arrastei-me para fora da trilha principal, utilizando o resto de força que me restava, como uma chama vacilante, me recuso a ser extinto, desesperadamente lutando contra a inevitabilidade da escuridão. — O deserto, vasto e implacável, também era cúmplice de muitos que ali encontraram seu destino. Nesse cenário árido e indiferente, muitos viajantes tinham perdido tudo em suas travessias, suas histórias dissipando-se como poeira sob a ação do tempo, sendo esquecidas. — Eu Samir me recuso a morrer, no entanto, permanecer consciente está sendo difícil, e apenas meu instinto de sobrevivência, nutri uma amarga certeza: se eu fechar meus olhos, não os abrirei novamente. Quando a noite começou a descer, eu já não conseguia distinguir o céu da areia, as estrelas, que antes brilhavam como jóias preciosas na escuridão, pareciam agora sufocadas por uma densa névoa de desespero. Era como se o horizonte tivesse se dissolvido, transformando-se em um abismo enigmático onde minhas esperanças e medos se entrelaçam. E nesse momento de profunda solidão, e dor, um peso da tristeza se tornava mais insuportável do que qualquer ferimento físico, como se cada batida de meu coração fosse um lembrete cruel de minhas falhas. — Meu palácio, estava tão perto, quem saberia que eu estava cavalgando sozinho sem proteção? E agora o palácio tem uma estrutura imponente e opulenta, está distante, e como meu pai vai se sentir , quando souber que não voltei? Ele está cansado e doente, e meu irmão com seus olhos inocentes e bondosos. — Eles acreditariam em sua morte, como folhas secas levadas pelo vento impiedoso do destino? Lembrou-se, especialmente, de que nunca deveria ter viajado sem escolta; era um erro que poderia custar-lhe tudo, até mesmo a dignidade que seus ancestrais sustentavam com tanto esforço. — Seu corpo cedeu sob o peso dessa dor, e ele sentiu como se a areia estivesse se enterrando em sua pele, assim como suas memórias se afundavam em um passado cuja existência ele já não tinha certeza. Horas depois — ou talvez minutos, ou até mesmo uma eternidade — ele desperto, envolto por vozes estranhas que falavam uma língua desconhecida, tão distante das conversas sofisticadas dos salões dourados e dos conselheiros do trono, onde traição e lealdade se entrelaçam em um perigoso jogo de poder. — Havia um aroma reconfortante de ervas curativas no ar, e o calor de uma chama suave iluminava o ambiente sombrio ao meu redor, enquanto mãos firmes e de toque habilidoso pressionavam meus ferimentos, como se quisessem ancorá-lo de volta à vida, devolvendo-me a realidade e o propósito que pareciam ter se dissipado no vasto deserto de minhas tristezas. Abri meus olhos com dificuldade, como se estivesse rompendo uma barreira entre o sonho e a realidade. — A luz suave do crepúsculo filtrava-se por tecidos coloridos, criando um mosaico de sombras dançantes ao meu redor. Foi nesse instante que avisto uma mulher, ela não parecia pertencer a um palácio ou a um mundo que lhe era familiar. — Vestia-se de maneira simples, com roupas feitas de tecidos rústicos que contavam a história de uma vida em harmonia com a terra. Seu cabelo escuro, preso em uma longa trança, movia-se suavemente a cada gesto, o olhar dela era atento, refletindo a experiência de quem já havia visto a dor se tornar parte de sua jornada; apesar disso, ela mantinha-se firme como uma rocha em meio à tempestade. — Em cada movimento, não havia espaço para o medo, mas sim uma profunda compaixão que transparecia, como se compreendesse que o sofrimento era uma experiência universal e, naquele momento, ela tornasse a luz que eu tanto preciso nessa escuridão. "Ele vive", ouviu alguém dizer, uma declaração que ecoou no ar morno da tenda. — Samir tentou falar, mas sua voz não o obedeceu; o esforço era como testar a resistência de um fio da vida prestes a se romper. Senti apenas aquelas mãos pequenas, firmes e determinadas — trabalhando para me manter neste mundo e fora da inconsciência. — Pela primeira vez desde o ataque, algo dentro de mim começou a relaxar. Me senti seguro Naquela noite, o herdeiro de um trono deixou de ser apenas um sheik, sua posição de poder e seu nome. — E agora sou apenas um homem ferido, resgatado por uma mulher que não fazia ideia de quem eu realmente sou. Preciso me manter seguro e quem me salvou, ninguém pode saber quem sou. — Agora tenho uma sombra sobre meus ombros, pois sei que quem tentou me manter pensou que conseguiu, e tenho um pressentimento de que algo muito maior está em jogo. Preciso manter meu título escondido, até me curar, era uma estranha confiança que sentia em relação àquela mulher, que, de alguma forma, se tornou minha guardiã. ZARA No momento não importa quem é este estranho — e talvez por isso mesmo não senti medo. Quando o trouxemos para a tenda, o sangue já havia endurecido em sua roupa, tingindo o tecido como se a própria noite tivesse decidido se agarrar a ele. Os ferimentos falavam de lâminas, e balas, e uma queda, com impacto violento. Outros, mais ocultos, pareciam esperar o momento certo para revelar sua gravidade, minha missão agora é salvá-lo. Mas ele respirava, o sangue estava coagulado , ele está vivo por milagre. Inclinei-me sobre o corpo com a calma que aprendi desde criança. — Minhas mãos não tremiam, e no deserto, quem teme perder, e tempo é o que os feridos menos têm. Limpei o sangue, extrai três balas, pressionei onde a dor pulsava mais forte, preparei as ervas enquanto o fogo baixo aquecia a água. — Ao redor, o mundo se recolhe em silêncio, como se respeitasse aquela batalha invisível entre a vida e a morte. Foi então que ele abriu os olhos. Não tinham olhos comuns, eram azuis, profundos e carregados de mistérios que não saberei descrever nesse instante — deve ser dor e cansaço, talvez. Ele tentou falar, mas a voz não veio. — Fique quieto, você está muito ferido, tive que extrair balas de seu corpo — murmurei, mais para mim do que para ele. — Você vive, isso é o mais importante, por agora basta. E ele me olhou como se eu fosse a última âncora que o prendia a este mundo, seus olhos azuis, no nosso mundo é raro. Ele apenas confiou em mim, e o silêncio me atravessou como uma flecha, deixando uma marca que eu não soube evitar. Naquela noite, permaneci ao seu lado. Troquei os curativos, os curativos e umedeci seus lábios, cuidei dia e noite. Vigiei sua respiração como quem guarda um segredo precioso. Nem imagino quem ele possa vir a ser, ou de onde vem, e quem o feriu. Mas no deserto, perguntas demais não salvam vidas, e agora esse estranho precisa ser salvo. Ainda assim, algo em mim sabia que esse homem não pertence às tendas, ou às areias do deserto, em que nós nômades vivemos, nosso mundo é simples, esse não é o dele. E, no entanto, ferido e vulnerável, parecia estranhamente humano. Sem títulos. Sem proteção. Apenas carne, dor e silêncio. Foi nesse instante que senti algo se deslocar dentro de mim. É um sentimento, tão forte como uma tempestade de areia. É um pressentimento tão forte que faz meu coração acelerar. — Sinto como se fosse um aviso antigo, onde as mulheres do deserto aprendem a ouvir e sentir. Algumas pessoas chegam como uma chuva rara e escassa no deserto. Outras chegam como uma tempestade. E, mesmo sem saber seu nome, compreendi: aquele homem não passaria pela minha vida sem levar algo comigo. Naquela madrugada, enquanto o deserto respirava ao redor da tenda, eu ainda não era promessa quebrada, nem mulher marcada pelo destino. Eu sou apenas Zara, filha do chefe da tribo Calil, neta e filha de curandeiras nômades curandeiras nômades. Mas o caminho já havia sido traçado, Maktub. E, uma vez aberto, o deserto nunca permite retorno. Zara sem saber, salvou não apenas uma vida, mas também o destino de todos os envolvidos. — O deserto, com suas areias eternas e segredos ocultos, atuava como um guardião silencioso, mantendo aquele segredo por enquanto. Contudo, o preço daquela sobrevivência ainda seria cobrado — um preço que o destino sempre demandava de seus escolhidos. — As estrelas acima, são testemunhas de sua jornada, brilhantes e intensamente, como se esperasse ansiosamente o desdobramento de uma história que estava apenas começando.O ANÚNCIO SAMIR A música vai diminuindo gradualmente, como se as notas ressoam com a melancolia do que está prestes a se encerrar. — As vibrações do som parecem envolver o salão em um abraço afetuoso, enquanto todos os presentes sentem a inevitabilidade do término da noite. Uma expectativa e tensão palpáveis tomam conta do ambiente, como a calma que precede uma tempestade; um momento de reflexão coletiva se forma, onde sonhos, ambições e ansiedades se entrelaçam no ar denso de expectativa. — Cada nota do instrumento parece levar o espírito da festa embora, criando um silêncio quase reverente entre os convidados, que permanecem nas sombras do grande salão iluminado por lustres brilhantes. É como se cada lampejo de luz refletisse suas esperanças e medos, e suas silhuetas se tornassem um quadro vivo de emoções contidas. — No entanto, o verdadeiro encerramento não acontece na última dança ou nos últimos aco
O LUGAR DELASSAMIR AL-NAYEFA tensão ao redor da mesa é como uma corrente invisível, puxando tudo de volta ao seu lugar habitual. No entanto, não há como voltar atrás após o que fiz.— Zara está sentada à minha direita, exatamente onde deveria estar, mas sinto o peso desse gesto sobre ela. Seu corpo transmite rigidez, cada movimento é meticulosamente controlado, e sua respiração é cautelosa, como se um deslize pudesse desencadear tempestades ainda maiores. — Essa tensão palpável lembra a atmosfera que se forma antes de uma tempestade, onde cada pessoa à mesa percebe que a qualquer momento, tudo pode mudar radicalmente.Ela se inclina levemente na minha direção, sua voz baixa e quase um sussurro que apenas eu posso ouvir. — Por que você fez isso? — pergunta, revelando o medo que habita seu coração. — O baile é para escolher entre as quatro finalistas. Uma delas será sua esposa… e você me coloca na mesa à sua direita.<
A HONRA DIANTE DE TODOS SAMIR AL-NAYEF O salão ainda pulsa com a música e as expectativas que todos estão ansiosos para alimentar.— No entanto, para mim, aquela noite já cumpriu seu propósito. Agora, não há mais nada a se observar ou avaliar, pois nenhuma das mulheres presentes pode ocupar o lugar que, em meu íntimo, já tem nome, rosto e história. — Enquanto todos aguardam o próximo movimento, como se cada gesto meu fosse parte de um ritual ininterrupto, decido romper esse ciclo. Levanto-me sem fazer anúncios, capturando olhares com a precisão de minhas ações. —Caminho pelo salão com passos firmes, ignorando tentativas discretas de aproximação e sorrisos ensaiados que tentam me convencer do que já não existe.— Meu foco é único, como um arqueiro que não se distrai com os ruídos ao redor. Não paro até chegar onde ela está: Zara, sua vestimenta se destaca em meio ao padrão opulento das outras mulheres; não ostenta o brilho ex
A ÚLTIMA ESCOLHA NO BAILE SAMIRO salão de baile brilha com uma iluminação festiva, mas sei que não se trata de uma celebração genuína.— A música ressoa envolvente, como uma onda sonora que envolve todos, enquanto os perfumes caros flutuam no ar como nuvens de riqueza, e tecidos luxuosos deslizam pelo piso de mármore, evocando contos de fadas em que tudo parece perfeito. — Porém, olhares calculados se escondem atrás de sorrisos ensaiados; tudo ao meu redor é um grande jogo disfarçado de elegância, onde a verdadeira interação é apenas uma encenação. As mulheres aqui foram moldadas para impressionar, conquistar, convencer… ou até se vender como a opção ideal para um lugar que já não existe, como peças de um tabuleiro de xadrez, que as destina a competir.— Entre as dez presentes, apenas uma sairá vitoriosa esta noite, e logo restarão apenas quatro: quatro nomes, quatro possibilidades, quatro expectativas que não me pertencem, como sombras





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