GRÁVIDA E MARCADA PELO SHEIK

GRÁVIDA E MARCADA PELO SHEIK PT

Romance
Última actualización: 2026-03-03
Tônia Fernandes   Recién actualizado
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Resumen
Índice

Filha de um chefe nômade, Zara cresceu no deserto sob regras rígidas, tradições implacáveis e um destino que não lhe permitia escolhas. Curandeira desde jovem, acreditava que sua vida estava traçada: um casamento arranjado com um homem cruel. Mas tudo muda quando ela encontra Samir, um viajante misterioso gravemente ferido às margens de um oásis. Sem saber que ele é o herdeiro de um dos tronos mais poderosos do deserto, Zara o salva — e entre eles nasce um amor proibido, intenso e silencioso. Samir promete voltar... Zara, decidida a viver ao menos uma escolha própria, entrega-se a uma única noite de amor. O que parecia apenas uma despedida torna-se um segredo impossível de esconder: ela está grávida de gêmeos, herdeiros de um trono que desconhece. Enquanto Samir enfrenta traições dentro do palácio e busca quem tentou matá-lo, Zara luta contra a tradição, o risco de perder seus filhos e a ameaça de um casamento que pode destruir tudo. Separados por mundos opostos, unidos por um destino maior, eles precisarão desafiar honra, poder e tempo. Do deserto ao palácio, esta é uma história sobre amor escolhido, maternidade e sobrevivência — um laço que nem a areia, nem o trono, nem o destino conseguem romper.

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Capítulo 1

####PRÓLOGO

O DESERTO 

SAMIR

A dor precedeu a escuridão, servindo como um aviso silencioso de um grande desastre, prenunciando a tragédia que estava prestes a se desenrolar. 

— Senti  o impacto rasgar o ar como um lamento abafado, atravessando meu corpo , meu corpo queimando como água fervendo, cortando carne e a esperança.

 O Faruk meu cavalo empinou, seus cascos golpeando desesperadamente o chão árido, quando  ouviu os tiros, e enquanto o mundo girava em uma dança descontrolada, senti algo queimar atravessar minha pele.

— Em seguida, restaram apenas areia, sangue e o gosto metálico que se espalhou em minha boca, evocando a tristeza que invade a alma nos momentos de desespero.

 O ataque foi tão rápido e letal, foi preciso demais para ser acidental, os tiros disparados por um um atirador habilidoso eles vão me matar foi meu pensamento. Alguém deseja minha morte.

— buscando um eco de desespero em um deserto já saturado por histórias não contadas. Tenho consciência disso, enquanto meu corpo me  trai e  fingi que estava morto; fiquei parado esperando eles vinhessem  como uma marionete sem fios, abandonada em um palco desolado. 

Arrastei-me para fora da trilha principal, utilizando o resto de força que me restava, como uma chama vacilante, me  recuso a ser extinto, desesperadamente lutando contra a inevitabilidade da escuridão.

— O deserto, vasto e implacável, também era cúmplice de muitos que ali encontraram seu destino.

 Nesse cenário árido e indiferente, muitos viajantes tinham perdido tudo em suas travessias, suas histórias dissipando-se como poeira sob a ação do tempo, sendo esquecidas. — Eu Samir me recuso a morrer, no entanto, permanecer consciente está  sendo difícil, e apenas meu instinto de sobrevivência, nutri uma amarga certeza: se  eu fechar meus olhos, não os abrirei novamente.

Quando a noite começou a descer, eu já não conseguia distinguir o céu da areia,  as estrelas, que antes brilhavam como jóias preciosas na escuridão, pareciam agora sufocadas por uma densa névoa de desespero. 

Era como se o horizonte tivesse se dissolvido, transformando-se em um abismo enigmático onde minhas esperanças e medos se entrelaçam. 

E nesse momento de profunda solidão, e dor, um peso da tristeza se tornava mais insuportável do que qualquer ferimento físico, como se cada batida de meu coração fosse um lembrete cruel de minhas falhas. 

— Meu  palácio, estava tão  perto, quem saberia que eu estava cavalgando sozinho sem proteção?

E agora o palácio tem uma estrutura imponente e opulenta, está  distante, e como meu pai vai se sentir , quando souber que não voltei? Ele está cansado  e   doente, e meu irmão com seus olhos inocentes  e bondosos.

—  Eles acreditariam em sua morte, como folhas secas levadas pelo vento impiedoso do destino? Lembrou-se, especialmente, de que nunca deveria ter viajado sem escolta; era um erro que poderia custar-lhe tudo, até mesmo a dignidade que seus ancestrais sustentavam com tanto esforço. 

— Seu corpo cedeu sob o peso dessa dor, e ele sentiu como se a areia estivesse se enterrando em sua pele, assim como suas memórias se afundavam em um passado cuja existência ele já não tinha certeza. 

Horas depois — ou talvez minutos, ou até mesmo uma eternidade — ele desperto, envolto por vozes estranhas que falavam uma língua desconhecida, tão distante das conversas sofisticadas dos salões dourados e dos conselheiros do trono, onde traição e lealdade se entrelaçam em um perigoso jogo de poder.

—  Havia um aroma reconfortante de ervas curativas no ar, e o calor de uma chama suave iluminava o ambiente sombrio ao meu redor, enquanto mãos firmes e de toque habilidoso pressionavam meus ferimentos, como se quisessem ancorá-lo de volta à vida, devolvendo-me a realidade e o propósito que pareciam ter se dissipado no vasto deserto de minhas  tristezas.

Abri meus olhos com dificuldade, como se estivesse rompendo uma barreira entre o sonho e a realidade. 

— A luz suave do crepúsculo filtrava-se por tecidos coloridos, criando um mosaico de sombras dançantes ao meu redor. 

Foi nesse instante que avisto uma  mulher,  ela não parecia pertencer a um palácio ou a um mundo que lhe era familiar. 

— Vestia-se de maneira simples, com roupas feitas de tecidos rústicos que contavam a história de uma vida em harmonia com a terra. 

Seu cabelo escuro, preso em uma longa trança, movia-se suavemente a cada gesto, o olhar dela era atento, refletindo a experiência de quem já havia visto a dor se tornar parte de sua jornada; apesar disso, ela mantinha-se firme como uma rocha em meio à tempestade.

 — Em cada movimento, não havia espaço para o medo, mas sim uma profunda compaixão que transparecia, como se compreendesse que o sofrimento era uma experiência universal e, naquele momento, ela tornasse a luz que eu tanto preciso nessa escuridão. 

"Ele vive", ouviu alguém dizer, uma declaração que ecoou no ar morno da tenda. 

— Samir tentou falar, mas sua voz não o obedeceu; o esforço era como testar a resistência de um fio da vida prestes a se romper. 

Senti apenas aquelas mãos pequenas, firmes e determinadas — trabalhando para me manter neste mundo e fora da  inconsciência.

— Pela primeira vez desde o ataque, algo dentro de mim começou a relaxar. Me senti seguro

Naquela noite, o herdeiro de um trono deixou de ser apenas um sheik, sua posição de poder e seu nome.

—  E agora  sou apenas um homem ferido, resgatado por uma mulher que não fazia ideia de quem eu realmente sou. 

Preciso me manter seguro e quem me salvou, ninguém pode saber quem sou.

— Agora tenho uma sombra sobre meus ombros, pois sei que quem tentou  me manter pensou que conseguiu, e tenho um pressentimento de  que algo muito maior está em jogo.

 Preciso manter meu título  escondido, até me curar, era uma estranha confiança que sentia em relação àquela mulher, que, de alguma forma, se tornou minha guardiã.

ZARA

No momento  não importa quem é este estranho — e talvez por isso mesmo não senti medo.  

Quando o trouxemos para a tenda, o sangue já havia endurecido em sua roupa, tingindo o tecido como se a própria noite tivesse decidido se agarrar a ele.

 Os ferimentos falavam de lâminas,  e balas, e uma queda, com impacto violento.

 Outros, mais ocultos, pareciam esperar o momento certo para revelar sua gravidade, minha missão agora é salvá-lo.  

Mas ele respirava, o sangue  estava coagulado , ele está vivo por milagre.

Inclinei-me sobre o corpo com a calma que aprendi desde criança.

— Minhas mãos não tremiam, e  no deserto, quem teme perder, e tempo é o que os feridos menos têm. 

Limpei o sangue, extrai três balas,  pressionei onde a dor pulsava mais forte, preparei as ervas enquanto o fogo baixo aquecia a água. 

— Ao redor, o mundo se recolhe em silêncio, como se respeitasse aquela batalha invisível entre a vida e a morte.  

Foi então que ele abriu os olhos.  

Não tinham olhos comuns, eram azuis, profundos e carregados de mistérios que não saberei descrever nesse instante — deve ser dor e  cansaço, talvez.  

Ele tentou falar, mas a voz não veio.  

— Fique quieto, você  está muito ferido, tive que extrair balas de seu corpo — murmurei, mais para mim do que para ele.

 — Você vive,  isso é o mais importante, por agora basta.  

E ele me olhou como se eu fosse a última âncora que o prendia a este mundo, seus olhos azuis, no nosso mundo é raro.

 Ele apenas   confiou em mim, e o silêncio  me atravessou como uma flecha, deixando uma marca que eu não soube evitar.  

Naquela noite, permaneci ao seu lado.  

Troquei os curativos, os curativos e umedeci seus lábios, cuidei dia e noite.

 Vigiei sua respiração como quem guarda um segredo precioso. 

Nem  imagino quem ele possa vir a  ser, ou de onde vem, e quem o feriu. 

Mas no deserto, perguntas demais não salvam vidas, e agora esse estranho  precisa  ser salvo.

Ainda assim, algo em mim sabia que esse homem não pertence às tendas,   ou às areias do deserto, em que  nós nômades vivemos, nosso  mundo é simples, esse não é o dele. 

E, no entanto, ferido e vulnerável, parecia estranhamente humano. Sem títulos. Sem proteção. Apenas carne, dor e silêncio.  

Foi nesse instante que senti algo se deslocar dentro de mim.  

É um sentimento, tão forte como uma tempestade de areia.  

 É um  pressentimento tão forte que faz meu coração acelerar. — Sinto como se fosse um aviso antigo, onde  as mulheres do deserto aprendem a ouvir e sentir. 

Algumas pessoas chegam como uma chuva rara e escassa no deserto.  

Outras chegam como uma  tempestade.  

E, mesmo sem saber seu nome, compreendi:  

aquele homem não passaria pela minha vida sem levar algo comigo.  

Naquela madrugada, enquanto o deserto respirava ao redor da tenda, eu ainda não era promessa quebrada, nem mulher marcada pelo destino. 

Eu sou apenas Zara, filha do chefe da tribo Calil, neta e filha  de curandeiras nômades curandeiras nômades.  

Mas o caminho já havia sido traçado, Maktub.  

E, uma vez aberto, o deserto nunca permite retorno. 

Zara sem saber,  salvou não apenas uma vida, mas também o destino de todos os envolvidos. 

— O deserto, com suas areias eternas e segredos ocultos, atuava como um guardião silencioso, mantendo aquele segredo por enquanto. 

Contudo, o preço daquela sobrevivência ainda seria cobrado — um preço que o destino sempre demandava de seus escolhidos. 

— As estrelas acima, são testemunhas de sua jornada, brilhantes e intensamente, como se esperasse ansiosamente o desdobramento de uma história que estava apenas começando.

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