A noite avançou sem barulho. Do lado de fora, a cidade seguia como se nada estivesse fora do lugar. Dentro do apartamento, o tempo parecia suspenso.
Gustavo estava sentado à mesa da sala com o notebook aberto, a tela refletindo nos olhos atentos. Ashiley caminhava descalça pelo espaço, ainda sentindo o corpo dele na pele, o cheiro dele preso na memória recente. Nenhum dos dois conseguia fingir normalidade.
— Você não vai dormir — ela disse, encostando no batente da porta.
— Não hoje — ele respondeu, sem tirar os olhos da tela. — Quero entender quem cruzou essa linha.
Ela se aproximou, apoiou as mãos na mesa e olhou para a tela. Eram registros de acesso, horários, câmeras internas.
— Isso tudo por causa de uma foto? — ela perguntou, mesmo sabendo a resposta.
Gustavo fechou o notebook devagar e se levantou. Ficou muito perto dela.
— Não foi só uma foto — disse. — Foi um aviso.
— Alguém quis mostrar que pode chegar até você quando quiser.
Ashiley sentiu um arrepio subir pelas costas.
— E