O quarto parecia menor depois da foto.
Ashiley ainda estava sentada na cama, o lençol preso ao corpo, o olhar fixo em um ponto qualquer da parede. O coração batia alto demais, como se o perigo tivesse atravessado a pele.
Gustavo andava de um lado para o outro, o celular preso na mão, o maxilar rígido. Ele não falava. E aquele silêncio era mais assustador do que qualquer grito.
— Isso não foi um erro — ele disse, enfim, parando. — Foi planejado.
Ashiley engoliu em seco.
— Alguém… viu a gente.
A voz saiu baixa, quase quebrada.
— Alguém entrou aqui.
Gustavo se aproximou dela devagar. Não tocou de imediato. Agachou à sua frente, ficando na mesma altura.
— Olha pra mim — pediu.
Ela levantou o rosto. Os olhos estavam úmidos, mas firmes.
— Ninguém te expôs — ele disse. — Tentaram nos intimidar. É diferente.
— Gustavo… — ela respirou fundo. — Eu já fui julgada antes. Já fui apontada. Eu não sei se aguento isso de novo.
Ele fechou os olhos por um segundo. Quando abriu, havia algo diferente ali