Adriano Monteiro já não dormia. As madrugadas tornaram-se longas demais, preenchidas por copos de uísque e pensamentos que não o deixavam respirar. O espelho do escritório mostrava um homem envelhecido em questão de semanas: olheiras profundas, a barba mal-feita, os olhos vermelhos de insônia. Ele, que sempre controlara a narrativa da própria vida, agora não passava de um ator acuado em um palco iluminado demais.
Naquela manhã, um telefonema de um contato no banco confirmou seus piores temores: