Felipe Diniz
A risada ecoou pelo corredor como se tivesse saído de dentro do concreto. Baixa. Insultante. Provocadora. Eu parei no meio do corredor. Parei de respirar. Parei de pensar. Parei de sentir qualquer coisa que não fosse a necessidade visceral de arrancar aquela risada da garganta dele.
— Vem, Felipe… — a voz dele reptou entre as paredes. — Mostra pra mim até onde você chega quando arrancam a arma mais bonita das suas mãos.
Meu maxilar estalou. Ele estava perto. Perto demais. Mas não o suficiente. Ainda. Apontei para os dois seguranças que vinham correndo do outro lado do corredor, pálidos, assustados.
— Ele entrou no acesso técnico.
— Senhor, encontramos o elevador de serviço parado no 19...
— Lacrem o prédio todo. Sistema interno. Sem exceções.
— Mas...
— AGORA.
Eles correram.
Eu avancei no corredor, seguindo o eco da risada que se apagava, não porque ele parara de rir, mas porque estava se movendo. Rápido. Estratégico. Como quem conhece o terreno melhor do que deveria. O c