Felipe
Ainda estava com Helena nos braços quando a porta bateu no fim do corredor — um som seco, rápido, que fez o corpo dela estremecer contra o meu. Eu virei a cabeça devagar. Como um animal que sente a presença de outro. Meu olhar percorreu o corredor branco, silencioso, impecável. Um corredor que nunca tinha sido tão hostil. Foi só um vulto. Uma sombra deslizando atrás da quina. Rápida demais para ser casual. Lenta demais para ser coincidência. Eu deixei Helena com cuidado, sem soltá-la de verdade.
— Fica atrás de mim.
— Felipe, o que foi?
— Tem alguém no andar.
Pela maneira como a respiração dela falhou, eu soube que ela entendeu exatamente o que isso significava. Eu caminhei até a porta, deixei apenas metade do corpo para fora, o suficiente para ver, não o suficiente para ser um alvo fácil. A segurança ainda não tinha trancado completamente o acesso. Isso queria dizer duas coisas: Adrian sabia como entrar antes que o protocolo fosse ativado. Alguém ajudou ele.
Eu apertei os dent