Felipe
Ninguém vê o exato segundo em que um império começa a rachar. Às vezes ele explode com trovões — escândalos, sirenes, manchetes que rasgam reputações. Às vezes ele desfalece em silêncio, pedra por pedra, até não sobrar nada. O império de Adrian não terá indulgência: vai estalar como vidro sendo quebrado com um só golpe. Eu já sinto a vibração na ponta dos dedos, o cheiro de metal aquecendo no ar, a mínima folga nas juntas que antes pareciam sólidas. Não será espetáculo mediático bonito — será o som seco de tudo que ele construiu se partindo, e cada estilhaço vai ter o nome dele gravado. E eu? Eu não serei apenas espectador. Estarei na borda do abismo, com os olhos acesos, a respiração contida, pronto para ver o último reflexo do poder dele morrer. Porque quando o estalo vier, não haverá volta. E ele saberá que foi minha mão que puxou a corda.
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A manhã nasce cinza sobre São Paulo — não um cinza comum, mas aquele tom espesso, carregado, que transforma arranha-céus em sentinelas