Adrian Navarro
Eu sempre tive dois tipos de silêncio: o que antecede o caos… e o que o cria. Hoje, escolho o segundo. Deliberadamente. Com gosto. A notícia do ataque público do Felipe chega no exato instante em que o vinho tinto encosta na minha língua — um vinho denso, escuro, com o mesmo perfume metálico que antecede tragédias. A estratégia dele é tímida. Infantil. Uma tentativa de provocar rachaduras no vidro achando que isso me faria tremer. Pobre garoto. Ele acha que abriu a primeira peça do tabuleiro. Mal percebe que eu sou o tabuleiro. Não pisco. Não xingo. Não deixo o sangue subir. O poder não grita — ele sussurra. E eu aprendi a dominar cada milímetro do silêncio que assusta.
O que faço é simples: Sorrio. Um sorriso lento, afiado, milimétrico. O tipo de sorriso que precede notícias que mudam destinos… ou abrem covas. Algumas guerras não começam. Elas apenas… despertam. E esta, Felipe, é a sua madrugada final.
— Então o coelhinho finalmente saiu da toca — murmuro, pousando